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07 janeiro, 2010

E não é que eles insistem em afirmar raízes, forças, afectos e alegrias?

Nestes tempos das Festas em que a saudade mais aperta, não podia deixar de lançar um olhar e um abraço fraterno para toda essa gente que abalou mundo fora para encontrar ganha-pão em terras estranhas. E os novos caminhos da emigração levam, por vezes, os melhores de nós.

Mas… que dizer da birra, da teimosia, do quase vício, de - onde quer que estejam - teimarem nos valores da cultura portuguesa. Na mais das vezes ao arrepio de qualquer apoio (de quem apoiar devia), arrostando mesmo com olhares displicentes (será comiseração?) de responsáveis diplomáticos que deviam saber estar próximos das afirmações de apego a raízes culturais portuguesas.


As sonoridades da nossa música tradicional só envergonham incultos e boçais - quase sempre deslumbrados por subprodutos musicais que da estranja nos chegam. Se atentassem nas letras, verificariam frequentemente um nível idêntico ao da nossa música mais pimba.

Café Portugal


Por mim, deslumbro-me a ver estes miúdos a quem alguém já transmitiu o amor e as técnicas necessárias para uma quase precisão de execução -e que não é por isso que perde o carácter lúdico, de brincadeira ou jogo. E relembro palavras de um investigador universitário da área da etnomusicologia acentuando que, face aos avassaladores fenómenos de aculturação de que somos alvo e objecto, com a padronização de comportamentos ditadas pelas modas que chegam do estrangeiro, um dia destes… quando quisermos saber como era nossa etnografia teremos de buscar raízes nas comunidades portuguesas da diáspora, encontrando (no enquistamento das práticas) antigos momentos e manifestações que deixamos morrer sem rasto ou marca.



Não sei se todos aqueles miúdos têm, da língua portuguesa, prática, maleabilidade e presteza. Não sei se, em termos oficiais, alguém alguma vez se preocupou sequer com isso. Mas sei que a nossa Diáspora mudou muito: está nas Universidades, detém posições relevantes no tecido económico dos países onde se instalou, ganha influência política.

Como me diziam há dias em Nova Iorque, só os nossos Governantes é que ainda não repararam nisso... nem atentaram no capital potenciação de relações, negócios e de influência política que hoje representam as Comunidades Portuguesas.

E... bastaria apenas um pouco mais de atenção e uma presença mais actuante!

24 julho, 2009

A culpa é do Facebook. recordações de uma navegação de lancha entre as Flores e o Corvo

A net tem destas coisas...
No meio de uma imensidão de pedidos de conexão no Facebook (e alguns têm de ser recusados por ofensivos, reprováveis ou desinteressantes...) surgiu um que tinha qualquer coisa de familiar. Seria a imagem do Barco? Seria a denominação Netos de José Augusto?

Ora eu conheci um Mestre José Augusto, senhor de artes de navegação entre a Ilha das Flores e o Corvo. E uma olhada pelos contactos daquele "perfil" revelou-me um rosto de confiança inabalável: um grande profissional de rádio dos Açores, o António Sousa.

Mesmo assim, ainda questionei os "Netos" acerca de quem eram. A resposta veio de pronto:
Este era um barco que fazia a ligação entre a ilha das Flores e a ilha do Corvo. Durante muitos anos José augusto foi o senhor das ligações entre as duas ilhas. Os netos que continuaram com o negócio quiseram homenageá-lo na nova embarcação.
O barco opera agora na ilha de S. Miguel, com pequenos cruzeiros.
A minha resposta foi imediata:
Já desconfiava que falavam do Mestre Augusto da Lancha.
Conheci, viajei, compartilhei mesmo com a vintena de companheiros da comunicação social que - já lá vão uns anos - levei ao Corvo.
E lembro uma exclamação que ouvi à chegada:
- Vierem de barco? Agora já há avião...
Ou.. a "burrice" daqueles continentais que tinham preferido viajar das Lajes das Flores para o Corvo na Lancha de Mestre Augusto...

Porque eles eram completamente burros.
Ao invés do avião, optaram por tactear os recortes da ilha das Flores com Mestre Augusto ao leme, na contemplação de baías e falésias. E depois, quando quase circundada a ilha se atreveram a mar largo e fundo, tiveram escolta de golfinhos até ao Corvo.

Saída das Lajes das Flores.
A Lancha encosta no cais do Corvo.
Mestre Augusto dirige a amarração
.
O reboliço era total, com fotógrafos e operadores de imagem correndo de uma borda à outra do convés à cata do melhor ângulo - o Victor Bandarra TVI é que me podia arranjar algumas imagens da travessia... ele ou os homens da IRIS (uma produtora de São Miguel que assegurava a captação de imagens para aquele canal de televisão).

Nesta excitação toda... já estava o Corvo à vista e iniciava-se a a manobra de aproximação. Ainda mal o pé em terra, e veio o tal comentário disparado do grupo de corvinos que "em cima do cais" espreitava a cambada de "doidos" do continente com manias de navegação de lancha...

Foram dias inesquecíveis. Os jornalistas tiveram de ficar espalhados por diversas casas a da ilha... que a pequena pensão não tinha capacidade para tão súbita procura. Houve quem fosse para casa do carteiro, para casa do médico...
Eu, como organizador do Passeio, fiquei na pensão. E lá tive de compartilhar o quarto com o José Quitério.
Mulher com ilha em fundo...

Penso que nenhum de quantos viveram essa aventura a irá esquecer. E quando chegou o "Serão Corvino" e as vozes se encontraram com as violas descobrimos que a "Saudade" (que já ouvíramos cantada nas outras ilhas) ganha sentidos quase cortante no Corvo.

Daí a uns anos regressaria eu ao Corvo para experimentar a emoção de uma emissão de rádio em directo a partir da mais pequena parcela de terra dos Açores.
Na altura, uma proeza de telecomunicações, possível pelo empenho dos homens da Portugal Telecom e dos meus companheiros da RDP Açores.

Uma cavaqueira de fim de tarde interrompida pelo fotógrafo...
Quem ainda se deve recordar é o Nuno Ferreira (nesses tempos jornalista do "Público" e agora peregrinando com o seu Portugal a Pé) que eu levei comigo "à boleia".

Tempos em que ainda me era permitido trabalhar na Rádio Pública...


Imagens do
Passeio de Jornalistas
no Corvo, 1993
Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)
Clique sobre elas para ampliar

2008, de novo o PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores

25 maio, 2009

Mãos de barro no Corval...

Saído da terra,
contém todas as formas
que hão-de revelar-se
com o “sopro da vida”
de mãos e de dedos.

É o barro!
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Patalim pode ser nome de olaria... mas é, sobretudo, designação de extirpe de oleiros, qualificativo de mãos e artes.

Quando os dedos percorrem o barro e lhe dão forma e sentido...

Aqui, é Alentejo.
Aldeia oleira do Corval,
com Monsaraz à vista e
o Grande Lago por perto.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

E o barro se faz prato, travessa, bilha, galheteiro...
E o barro se faz objecto utilitário ou peça decorativa.
Ainda na esperança das cores e do abraso do forno...


Passado o afago dos dedos, inventadas as formas... é aqui que o barro se veste de cores: E mãos de mulher...
pincelam-no de vida.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Traço a traço, cor a cor, forma a forma... é o mergulho nas memórias que dos árabes vieram à mistura com geometrias e jogos.

Como se fora um bordado ou uma renda...


Ou quase só... umas flores. Ramo de mão cheia, viçoso e acabado de trazer do campo, ao centro. E corolas outras, esvoaçando em volta.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Tudo em tons quentes de Alentejo.


E a ingenuidade deste fundo prato?


Nas calmas do Verão, há-de valer o barro.
Para a água, para o vinho, que irá refrescar gargantas e acalmar securas.
De todos os tamanhos e ambições...

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Junto à boca do antigo forno (que técnicas mais recentes converteram em elemento decorativo) alinham-se peças à espera de quem por elas se apaixone e... as queira levar consigo.


Porque é isso a vida do barro e...
do oleiro.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval


Sorte diferente das rejeitados, recusados ou com defeito.
Sacrificadas na procura da perfeição, feitas desperdício, no canto que as levará ao lixo.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Rui Santos, 31 anos de idade, oleiro desde os 14…
mas com toda uma infância a brincar o barro na oficina fundada pelo avô.

É o mais jovem oleiro
do Corval.


Palavras de Filomena Afonso
para umas belíssimas imagens de Zé Mendes

Passeio de Jornalistas nas margens do Grande Lago

20 dezembro, 2008

De Cabo Verde, do Nuno, do ano que aí vem...

Para o Novo Ano, os votos que atravessam o mar desde Cabo Verde. São do Nuno Rebocho.

Aqui os fazemos nossos. E compartilhamos com todos que gostam de nos frequentar e... de ficar á conversa na esplanada do Café Portugal.

A todos (amigos e inimigos): BOM ANO 2009

IRREDENTA ESPERANÇA


escondo-me no saco dos brinquedos:
ainda aí guardo esperanças e segredos
fechados a sete chaves.
deles por enquanto nada direi
- quero-os irredentos
puros (sagrados)
como serão os corpos nos noivados
e são as mulheres que eu amei.


escondo-me mas não deserto. fico
à espreita na tocaia a que me dedico
sempre à espera de novidades.
sei que virá o tempo
de abrir o saco
e sacar lá de dentro outro pacto
com a chuva com o sol e com o vento.


eu sei: virá o tempo. e então direi
quanto esteve sufocado e conservei
com força de medrar e viço
e alma. direi o chão
da aventura
regada pela viva água da ternura
onde por nossas mãos brotará o pão.


eu sei: virá o tempo.




Nuno Rebocho
15 Dezembro 2008

17 dezembro, 2008

"CAFÉ PORTUGAL, Prazeres de Viagem e Passeio", uma nova revista electrónica para contar o país

De viagens e passeios, de aventuras e prazeres se faz a nova Revista Electrónica que vem alargar a rede do Café Portugal.

Desafio-vos a passar por lá e a uma navegação sem escolhos mas com muitas surpresas de caminhos e paisagens.

Nasceu agora. Está à espera das vossas opiniões e achegas. Mas já está a dar que falar...


O seu lançamento ocorreu na passada sexta feira no decorrer de um jantar com uma vintena de profissionais da Comunicação Social no restaurante "A Maria" no Alandroal. no âmbito do Passeio de Jornalistas às Terras do Grande Lago.

Noticiava a Agência Lusa que "divulgar o papel do turismo no desenvolvimento regional é o principal objectivo do “Café Portugal, Prazeres de Viagem e Passeio”.

“www.cafeportugal.net” é o projecto de um jornalista com mais de 20 anos de “vício de andarilho pelas terras da língua portuguesa", em busca dos rostos e paisagens que serviram de pano de fundo a programas de rádio como o “Passeio das Virtudes”, “Chão da Festa” e “Feira Franca”, contou à Lusa o fundador da revista, Rui Dias José.


"Construir uma revista pode ser um acto de enamoramento ou de apaixonamento: Perseguindo uma ideia... um projecto; buscando formas diferentes de contar e de dizer, equacionando diversificadas tecnologias e apostando em novos públicos" - escreve-se na num dos textos de apresentação da nova publicação electrónica.

Entre as reacções na net, ao surgimento deste novo espaço de notícia e debate, destacam-se aqui as do Açoriano Oriental do Repórter do Marão e do Diário dos Açores.


24 setembro, 2008

O "até sempre!" de Dias de Melo

Dias de Melo Dele havemos de lembrar cheiros, mãos e rostos vertidos em livro que são relato (às vezes duro e seco) da Odisseia dos Baleeiros. Há uma semana que estava fora da sua ilha do Pico , internado no Hospital de Ponta Delgada. Deixou-nos hoje aos 83 anos.

"Talvez como ninguém, Dias de Melo soube retratar e enobrecer a vivência picoense, em especial as gentes dos mares, os valentes protagonistas da saga baleeira. E a literatura do século XX perde um dos seus grandes nomes". Palavras agora chegadas das Lages do Pico.

Autor de "uma obra vasta e significativa", "um épico local da faina da caça à baleia", "esteve sempre muito atento ao tempo português e não se limitou a ser um homem insularizado" - dizia dele hoje o escritor João de Melo.

"E, porque sou Povo — do Povo da minha, da nossa Ilha, da minha, da nossa Terra, boa parte dos meus livros aqui, na nossa Ilha, na nossa Terra, se situa"
Na parede da casa de Dias de Melo
dizia Dias de Melo em 2001
, aquando da atribuição pela Câmara Municipal das Lajes do Pico, do título de cidadão honorário daquele concelho.

Na fachada da sua casa tinha incorporado este poema:

10 agosto, 2008

Antunes Amor, velho camarada, ficamos à tua espera!

Companheiro de longos e bons anos nestas nossas incursões país adentro, as fotografias que realiza (e connosco compartilha) são indissociáveis da história do Passeio de Jornalistas.

Café Portugal - Antunes Amor
Sujeito a uma delicada intervenção cirúrgica, Antunes Amor passa agora por momentos dificeis. Fica a aqui a nossa solidariedade e os desejos de rápidas melhoras e de completo restabelecimento.

Antunes, não dispensamos a tua presença , em Setembro, na incursão ao Alto Minho.
Por isso vê se te pões bom depressa.

15 maio, 2008

O Regresso aos Açores ou... de como um jornalista também tem direito a sentimentos, emoções e memória


Alguns jornalistas que comigo abalaram nesta Aventura Açores estranharam a largueza do cumprimento que me foi dispensado pelo porteiro da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo quando nos reencontrámos na visita àqueles Paços do Concelho. Somos conhecidos velhos... E ele já me ajudou a resolver muitos problemas logísticos em emissões de rádio diversas (para a Antena 1 do Continente e dos Açores).

Foi para mim estranho e aliciante a um tempo ver-me de novo naquela Salão Nobre que - a par da Praça Velha - já foi cenário de alguns dos meus labores profissionais. Mas, desta vez, estava ali para uma magnífica aula desse Grande Senhor que dá pelo nome de Pires Borges (um misto de cultura e humanidade com abertura de espírito para uma piada acerada ou uma brincadeira ingénua).

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Não me venham com essa de que, em nome de objectividades e distanciamentos, um jornalista tem de ser castrado de sentimentos e emoções. Isso, cidadão no pleno uso dos meus direitos pessoais e cívicos, não aceito. E já não tenho idade para emendas...

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Cada ida aos Açores é uma romagem por alguns rostos que me habituei a respeitar (outros... nem por isso). E que sorte eu tenho de ter conhecido alguns deles...


Gostava de me ter reencontrado, em São Jorge, com um continental que avistei ainda gerente bancário na ilha que tinha adoptado como sua. Foi ele que, nos idos de 80, me ensinou as fajãs e o polvo do Alberto (na do Ouvidor). Foi ele que me ensinou a gostar dos Açores e a lá voltar sempre que posso.

Fui recebido em casa de Orlando Bretão e ainda devo simpatias ao irmão, naquelas fugazes passagens pelo Aeroporto das Lajes. Não consigo esquecer que estava em Angra na noite do mais recente sismo do Faial - em trânsito para um Feira Franca nas Flores. Ou que me coube a mim, oito dias depois da tragédia, assegurar umas 3 horas de directo (num sábado) e mais umas duas no domingo, na Ribeira Quente. A meias com a Judite Jorge, naquele café em que as cores do vestuário negro do empregado me diziam que ele era o irmão e o tio da mulher e da criança que haviam morrido soterrados, com pai e marido nas lides na pesca e a só saber da notícia depois do regresso a terra.

Os meus Açores são sentimentos, memórias de deslumbramentos e conversas, conhecimentos travados à pressa - porque o tempo era escasso e a ânsia e os limites eram muitos.

Numa noite conhecia o professor José Bértolo, no balcão do Café de Santa Cruz da Graciosa, para na noite seguinte estar naquela suculento jantar confeccionado pelo guarda fiscal, e que havia de terminar num piano dolorido com umas notas difíceis ... que os dedos já não ajudavam. A mesma Santa Cruz a que haveria de voltar para ver o Padre Simões Borges quase esquecer um casamento porque havia umas cordas de viola da terra para fazer vibrar e viver. em directo para o mundo língua portuguesa

Tive a dita de poder conviver com um velho marinheiro (que nunca pilotou nenhum barco mas velou por bastantes) João Quaresma da Madalena do Pico. Honro-me das conversas com Ermelindo Ávila, da navegação com Mestre Augusto - naquela lancha carregada de jornalistas a caminho do Corvo - dos encontros com José Azevedo (o Peter). Orgulho-me de ter privado com esse maestro da gastronomia e da arte de bem receber e de bem passear (tão maltratado pela vida, pelas promessas dos políticos e pela agiotagem bancária) o Garcia do "Snack Bar Pico". Não esqueço aquele mestre do "Terra Alta" que me guiou na minha primeira navegação no Canal de Nemésio e me ensinou o que era um "boca aberta".

E recordo cores, cheiros, sons e sabores... Como pode um homem deixar esvair a memória de um pôr do sol na Fajã Grande das Flores, uma descida à Caldeira da Graciosa, uma lagoa de São Miguel, o negro e o suor dos currais do Pico, a Praia Formosa de Santa Maria, o verde intenso São Jorge, as vistas do Porto da Horta, as ruas de Angra ou os horizontes da Serra dos Cumes? Como pode um homem esquecer a intensidade daquele serão corvino onde a "Saudade" cantada e dançada era catarse, angústia e alegria a um tempo só. Que saudades… Dr. Cardigos.

Por tudo isto, mas sobretudo pelo que não cabe aqui (ou que eu não quererei desvendar em público - afinal sou um tímido e os Açores são a melhor terra para namorar e acariciar) tinha de ser feito este regresso ao arquipélago.

Ainda não sei como é que vou conseguir os financiamentos, mas garanto que daqui a uns dois anos o Passeio de Jornalistas vai estar de novo nas Ilhas de Bruma. Podem estar certos disso!

Até lá!

08 fevereiro, 2008

Nuno Rebocho vem de Cabo Verde para lançar novo livro

Café Portugal - Nuno Rebocho

Companheiro de jornadas e afectos,
o Nuno Rebocho vai estar logo mais a lançar o seu novo livro:

O Discurso do Método.


Como ele escrevia em jeito de mensagem de novo ano, parida no seu santuário de Cabo Verde:

Não há aventura
sem loucura e sem ternura

- é a viagem que importa
o resto é letra morta.

Ao Café Portugal já o Nuno trouxe imagens do Passeio de Jornalistas no Fundão ou em Portel. Com ele compartilhámos muitos quilómetros de estrada, de estórias e de sentimentos.

O lançamento da sua nova obra vai ser no Centro Cultural Teatro da Malaposta, pelas 21h30.

Vítor Vicente e Mário Máximo fazem a apresentação, Vitor Nobre e Nuno Rebocho lêem poemas de um livro que tem posfácio de Jorge Velhote e edição da Canto Escuro.


E... disso já muita gente falou e disse:

  • e todos os outros em que não reparei...

05 janeiro, 2007

Ainda os ecos do "Cante ao Menino" em Peroguarda


Café Portugal - Michel Giacometti
Cancões Tradicionais e Memória Colectiva
O mistério Giacometti
Cancioneiro Popular Português
Associação Michel Giacometti
Museu do Trabalho

Entrai pastores (Cante tradicional recolhido em Peroguarda) Boomp3.com
Interpretação: CRAMOL (Grupo Coral da Biblioteca Operária Oeirense), 1985

Caro Rui Dias José

De facto a minha intenção era que o meu amigo publicasse a minha carta, uma vez que o seu "Café Portugal" tem uma visibilidade que eu ainda não possuo.

Quando se fala de Michel Giacometti, indivíduo de grande qualidade e projecção, de quem gosto muito e cujo trabalho sempre apreciei, que estudou muito da música popular tradicional portuguesa, vem-me à memória outra figura muito importante de um outro caminheiro etnógrafo e investigador alentejano, reconhecido pela enciclopédia Portuguesa-Brasileira e sócio de diversas instituições científicas e culturais, portuguesas e brasileiras, com diversa bibliografia publicada e que, eventualmente por questões políticas, não teve a seguir ao 25 de Abril, o reconhecimento que lhe era merecido.

De quem falo é do Professor Joaquim Baptista Roque, nascido em Peroguarda em 1913. Nesta
aldeia, em 1954, com a presença do Governador Civil de Beja, a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, reconhecendo todo o seu trabalho e dedicação à causa alentejana e ao seu povo, prestou-lhe uma homenagem descerrando uma lápide que deu o seu nome à Praça onde existe a casa em que nasceu.

Aliás, o Grupo "Alma Alentejana", de que lhe enviei fotos e que foi o primeiro a ter mulheres na sua composição, tendo-lhe então valido alguns dissabores, foi por si fundado em 1938.

Existem cerca de seis mil verbetes sobre o cancioneiro de linguagem popular que ele reuniu em finais de 1947.

Hoje, já depois da sua morte, a Câmara Municipal de Portel, editou em 2000 um CD com cantares alentejanos, que o professor havia recolhido e gravado de forma artesanal, em vinil, na cidade de Beja, em 1948 e 1959, utilizando um rudimentar gramofone.
A maioria do seu espólio está entregue à Câmara de Portel onde se presume venha a existir um museu dedicado ao cante Alentejano.

Em Ferreira do Alentejo, no próximo mês de Março, irá ser atribuído o seu nome a uma rua.

Muito mais havia para dizer e se tiver interesse poderei facultar-lhe a consulta do referido CD ou, em alternativa, poderá solicitá-lo à Câmara de Portel.

Com um grande abraço,

CARLOS GOMES






O professor Joaquim Roque
Rezas e Benzeduras
Os cantares de Peroguarda
Grupo Coral "Alma Alentejana"

30 dezembro, 2006

"Cante ao Menino" em Peroguarda

O email dizia apenas:

Rui

Aqui lhe envio algumas fotos da Aldeia de Peroguarda - Ferreira do Alentejo, distrito de Beja, onde assisti ao "Cante ao Menino".
Gente simples e trabalhadora, muita dela já com avançada idade, procura nestas actividades salvar o cante alentejano.
Um abraço,
Carlos Gomes

As fotografias estão aí. Basta clicar nelas para ampliar.

'Café 'Café 'Café
'Café 'Café 'Café
'Café 'Café 'Café
'Café 'Café 'Café
'Café 'Café 'Café
'Café 'Café 'Café

Agradecem-se as fotos daquela Peroguarda de que se guardam imagens e recordações.
Lá passámos (até lá fomos) diversas vezes. Umas a propósito, outras porque nos apetecia que o caminho para o Alvito fosse por ali, passada Ferreira do Alentejo... E sempre olhando aqueles rostos para perceber as razões de Michel Giacometti querer ser enterrado naquele chão. Ele o corso que viveu Portugal.
Entendemos tudo numa emissão do FEIRA FRANCA em Ferreira: porque se a evocação do investigador e caminheiro já era sentida, a memória do amigo toldou olhares de homens feitos e rijos, rolaram lágrimas nos rostos do coral e embargou-se o cante... Foi preciso ir em frente, mudar planos do som e de conversa, percebendo que havíamos tocado numa corda sensível: o corso era um deles... por isso quis descansar em Peroguarda.
E como foi bonita essa festa em Ferreira do Alentejo onde se misturaram vozes experientes com cantes mais moços... porque há gente nova que sabe cantar à alentejana.

08 dezembro, 2006

Reencontro com Eugénio

Na Póvoa da Atalaia a sombra de Eugénio
CAFÉ PORTUGAL - Eugénio de Andrade– a tua sombra: aqui nasceste menino Fontinha, José de teu nome. E adolesceste. Antes de seguires outros rumos pelos afluentes do silêncio, as mãos recolhendo os frutos das lavouras que foste achando. Vivendo o tempo. Retecendo o tempo. Tu e a tua boina negra, galega. Tu e os teus cabelos brancos, desgrenhados, que encontrei à beira Douro, diante da Foz, onde os encontrei.
Venho à Póvoa e reencontro-te. Tu ainda aqui estás. Sempre aqui estiveste, mesmo quando deixaste de ser menino, de ser José, de ser Fontinha, e te crismaste Eugénio e fingiste que entravas na “pátria dos Andrades”.
Chegando à Póvoa redescubro-te . E contigo recapitulo a lição:

Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
CAFÉ PORTUGAL - Eugénio de Andradeonde a luz é feliz e se demora.

Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova
”.

Olho. Relembro as mãos. Relembro os frutos. Compreendo. E rezo-te:

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos