04 janeiro, 2006

Na despedida do Cáceres...

Venho agora da despedida ao Cáceres Monteiro, ali nos Olivais. Entre muitos camaradas deste ofício das notícias, a homenagem a de um homem de rija coluna e olhar terno, face serena e gestos delicados, cidadão atento e brilhante repórter.
Conheci-o, já lá vão mais de trinta anos, numa Luanda a um mês da Independência. Eu, um jovem repórter do “Século” (tinha 21 anos), ele mais experiente e caldeado nas lides jornalísticas.
O Manuel Batoreu (então de “A Capital” e agora Doutor em História de Arte) tinha chegado antes de mim. O Cáceres e o Lobo (ambos de “o Jornal”) juntaram-se a nós em Outubro de 1975 e passaram a meus companheiros de hotel - tinha sido já sacudido do “Trópico” e vivia então no “Tivoli.” Os restantes jornalistas portugueses só iriam chegar em vésperas da Independência, daí a um mês e tal…

Depois disso fomo-nos cruzando, na vida, nas viagens, no projecto que levou a Iniciação ao Jornalismo às escolas Secundárias (com o Afonso Praça, o Carneiro Jacinto ou o José Leite Pereira). no Sindicato dos Jornalistas
Entre figurões da “Informação” autoconvencidos do seu estrelato fátuo, o Cáceres permanecia afával, acessível, inteiro, rigoroso e disponível para entregas, afectos e desafios. E é essa a imagem que dele quero guardar.

PS - Com a vindima que ceifa os jornalistas na casa dos cinquenta e tantos, nunca percebi como é que, numa profissão destas, a idade da reforma poderá ser aos 65. Só se for para não pagar a quase ninguém… e embolsar o valor dos descontos.

1 comentário:

canzoada disse...

O tipo que nos chama lá de cima, é injusto! Chama os bons e deixa cá a mediocridade.