27 novembro, 2008

Cruzando rostos e palavras... este blogue só se podia chamar CAFÉ PORTUGAL!

Quis este blogue como ponto de encontro e convívio, espaço de cavaqueira e de descoberta/divulgação de rostos, paisagens, vontades, sons e sabores deste país.
O nome "Café Portugal" surge como celebração dos cafés que, em todas as terras, foram cenários de conversas, de alegrias, de disputas e de vidas.
Ao longo da minhas jornadas de andarilho da rádio, o café principal ou o largo maior da uma terra eram sempre os lugares preferenciais de emissões, que gostava com gente à volta e à vista de todos...
Não se estranha portanto que tenha assumido esta designação de marca...

Chegou-me agora, à guisa de comentário a um post, um texto de João Galvão Teles carregado de ecos das memórias do saudoso "Café Portugal" do Rossio, em Lisboa.
Não resisto em trazê-lo para a "boca de cena". Que me desculpe o autor, pelo abuso.

Há muito tempo que tenho recebido esta "newsletter" com o nome de "Café Portugal". Nunca achei em nenhuma altura até agora, que fosse ocasião de comentar esta questão, pois, além da graça da coincidência, nunca mal nenhum vi na actual utilização deste nome.

Agora, porém, com a polémica sobre o uso do nome (ou marca) "Café Portugal", achei boa altura para contar o que ouvi, há já muitos anos, a um tio meu, de nome Alberto, irmão de meu Pai.

Diga-se, entretanto, que o meu Avô, Adriano Teles, conjuntamente com outros e diferentes sócios, foi o fundador dos diferentes cafés "Brasileira" que existiram em Portugal (Chiado, Rossio, Coimbra, Porto e Braga) e mesmo até em Sevilha, dos quais, tanto que eu saiba, só as Brasileiras do Chiado e de Braga ainda permanecem activas.

Foi ainda o meu Avô, anos mais tarde, quando já tinha largado a gestão das Brasileiras, fundador da "Paulistana", que ficava na Av. Fontes Pereira de Melo, já perto do Saldanha.

Contou-me, então o meu tio, quando as Brasileiras ainda eram património da família, que foi fundado no Rossio um luxuoso café chamado precisamente "Café Portugal". Falou-me das, para a época, grandiosas obras de engenharia que obrigaram a levantar o prédio com macacos hidráulicos, por causa da água do rio que, como se sabe, chega junto do teatro D. Maria II.

A sua inauguração terá dado brado na época, pelo luxo e pela sua modernidade. Fiquei com a impressão de que o café ficaria na esquina do Rossio com o largo D. João da Câmara, pois tenho, além disso, a vaga ideia de, quando era novo, lá passar e vê-lo, já fechado, mas com o nome ainda na fachada.

Fica aqui, e com o valor que tem a tradição oral, este contributo para o nome do "Café Portugal".

Com os melhores cumprimentos.


João Galvão Teles


Obrigado pelo seu saboroso comentário.
De conteúdo tão rico que assumi a ousadia de o transpor para esta área do blogue, para que ganhasse a visibilidade que merece.

Tempos houve em que... se quase todas as terras tinham um Rossio, quase todas tinham também um "Café Portugal". E...quase todos eles se foram!

1 comentário:

JGTeles disse...

Não se trata de abuso nenhum, pois a ideia foi partilhar informações sobre a nossa Lisboa, que de outro modo se vão desvanecendo na memória do tempo...
Antes pelo contrário, a honra sentia eu ao ver o meu pequeno testemunho publicado no seu "blog" em lugar de destaque.

Bem haja e continue sempre a divulgar o nosso Portugal.

João Galvão Teles