16 fevereiro, 2009

Uma Invenção para namorar a crise

E não é que, muito antes desta "modernice" do Dia dos Namorados, já havia quem insistisse em namorar?
Em terras do Minho era costume mesmo as moças bordarem o lenço para oferecer ao seu conversado.

Motivos singelos e recados de amor, escritos do mesmo modo como eram pronunciados:

E se o Ouro que se trazia ao peito era uma espécie de garantia ou caução para doença ou outro mal da vida (quase um PPR), também podia ter rasto de jura de amor ou preito de fidelidade. Ouro ou prata trabalhados como se fora um bordado ou uma renda...

Por essas aldeias fora aldeias fora, namoro era no portelo da casa. se fazia à porta de casa. E nas casas mais ricas era conversa (vigiada) de sala, com apropriados móveis. Como esta conversadeira...

... ou esta namoradeira. Que sempre iria permitir uns leves aconchegos sob ao atentos olhares da mãe guardiã de virtudes e falatórios.

Não fossem as necessidades comerciais que nos trouxeram o São Valentim, como é que nós, empedernidos de coração, iríamos aprender a namorar?

O denominado "Dia dos Namorados" é uma invenção recente entre nós, sem qualquer passado, memória ou raiz cultural. Tão recente... que ainda me lembro da sua invenção.

Estávamos em 1982. Já nessa altura se sentia a crise do pequeno comércio - assustado com a chegada dos hipermercados (sem imaginar sequer o gigantismo de Centros Comerciais a que iríamos chegar…!). A iniciativa foi da União dos Comerciantes da cidade de Lisboa que, para isso, pediu apoio à Rádio Comercial cuja redacção nessa altura eu integrava

O riso que me provoca agora quando leio algumas peças jornalísticas (?) sobre este tal “Dia dos Namorados” (ou dia de São Valentim"). Como se, entre nós, ele não se resumisse a uma estratégia (legitima) de comerciantes e afins para adiar encerramentos, falências e despedimentos. E então quando desatam escrever sobre apaixonamentos e romantismos…

Com o apertar da crises, este foi o ano de todos os namorados. E, para um singelo dia, foram meses de campanhas publicitárias. Com o leque de sugestões de presentes a dilatar exponencialmente. Tudo o que era restaurante inventou receitas e pratos especiais para a celebração. Como o dia não tinha qualquer rasto de celebração entre nós, tiveram de deitar mão a tudo o que era estrangeirice culinária ou arremedo de cozinha de autor.

Mas... dos hotéis ao perfumes, dos telemóveis às jóias, dos chocolates aos relógios, foi um corrupio de anúncios. Desta vez, nem as Regiões de Turismo quiseram ficar de fora e ofereceram escapadinhas(escapadelas?) ou love trips para animar o mercado - que... isto da procura interna... vai mesmo mal. Houve até uma marca de automóveis que propôs que você oferecesse uma viatura novinha em folha à pessoa amada (neste caso, independentemente do estatuto de relacionamento, seria mesmo uma verdadeira “com/sorte”).

A este frenesim publicitário ficaram agradecidos jornais, rádios e televisões para quem tal inusitado caudal publicitário constitui bênção e refrigério em tempos de contenção e de seca. E vá de aproveitar a boleia.

Em quase todos eles, a manifestação que veio do frio, mais exactamente da capital russa: "jovens do movimento "Nós" lançarão um apelo a todas as mulheres para recusarem fazer amor com os homens que apoiam a política do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin. Se a moda pega...

Ainda por cima não se percebe o castigo quando, como escrevia o Portugal Diário, os homens planeavam "gastar mais dinheiro do que as mulheres" nesta febre namoradeira. Talvez por isso menos o Jornal de Notícias apelava à publicação de mensagens na sua edição online com o argumento (sugestivo?) de que o "Dia de S. Valentim é a altura ideal para fazer uma surpresa ao seu mais-que-tudo". Mas a pensar nos tempos de incerteza e crise estava a a Agência LUSA que, em take disseminado por quase toda a imprensa, dizia que "amor, amor mesmo era se você oferecesse um PPR à sua cara metade". Também o Público referia que o espírito da quadra tinha tocado o coração de governantes israelitas que, em véspera do Dia dos Namorados autorizaram "os produtores palestinianos a enviarem 25 mil cravos vermelhos para a Europa".

E se O Record se fazia eco do lamento de Jessica Augusto que não "pode festejar o Dia dos Namorados com Eduardo, o guarda-redes do Sp. Braga", ausente em Valência, o Correio da Manhã dava voz à esperança da organização do "Eros Porto" de que "os casais adiram em força ao evento". Vá se lá saber porquê...! Mais discreta, a RTP sublinhava que as "propostas no Algarve premeiam os mais imaginativos". E o Diário Digital não hesitava em afirmar que "A amante deste século tem placa gráfica". Coisas...

Realista em relação aos objectivo dos festejos da data o Açoriano Oriental escrevia que o "pequeno comércio tenta resistir à crise" e o Diário Económico avançava uma listagem de "presentes originais para oferecer no dia dos namorados". E se até se entende que o Blitzz achasse que isso de Dia dos Namorados era mesmo para nos dar música e perguntasse "quais as vossas músicas românticas favoritas?", nunca esperei ver o Expresso a dizer: "Saímos para a rua para tirar a temperatura à paixão dos lisboetas. Há de tudo"...

Mas o que não percebi mesmo foi aquela notícia que veio lá dos confins do Oriente, acerca daquelas duas jovens, de uma associação de defesa dos animais que se iam despir "nas ruínas de São Paulo, em Macau, para apelar a residentes e turistas que no Dia dos Namorados optem por uma dieta vegetariana". Namorados? Dieta vegetariana? Elas lá sabem…

13 fevereiro, 2009

Imagens do Douro na paisagem de São João da Pesqueira

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São João da PesqueiraNos alvores do Outono, já no final das Vindimas, os socalcos do Douro, as voltas do rio, o quase cobre das folhas das videiras.

O autocarro do Passeio de Jornalistas ia parando aqui para uma vista de encosta, ali para espreitar as águas cá do alto, mais além para contemplar vinhas e xisto de que se fazem as margens.

Paisagem gloriosa aquela que o José Mendes tão bem conseguiu captar. (clique para ampliar)

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São João da PesqueiraCafé Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São João da PesqueiraCafé Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São João da Pesqueira

Outros olhares do José Mendes sobre São João da Pesqueira



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em São João da Pesqueira

02 fevereiro, 2009

A caminho do Douro, um almoço com sabores e vistas de Viseu

A caminho do Douro, paragem em Viseu para almoço e passeio pelo Centro Histórico.

Fernando Ruas, presidente da Câmara Municipal de Viseu (e da Associação Nacional de Municípios Portugueses) foi o convidado no Cortiço e cicerone eficiente. Combinada ficou uma surtida (com mais vagar e detalhe) às terras de Grão Vasco.

Espreite os olhares do José Mendes sobre Viseu


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em São João da Pesqueira

27 janeiro, 2009

Açores: imagens de passeio, escritas de paixão... com sotaque brasileiro

Que melhor sítio para publicar uma reportagem sobre os Açores do que a secção "Ilhas Perfeitas" da conceituada revista brasileira "Viagem e Turismo"?

Mesmo que os responsáveis oficiais do sector do Turismo nunca tenham reparado no trabalho desenvolvido pelo Passeio de Jornalistas, mesmo que nunca lhe tenham vislumbrado qualquer "Utilidade Turística" em termos de divulgação de paisagens, rostos, gostos e sabores, bastaria a atenção que lhe é dedicada por tantos companheiros de ofício para saciar o ego e constituir justa paga pelo esforço (que outro nunca existiu!).

Agora são as imagens da Ana Rojas e as palavras escritas pela Patrícia Jota que dão voz à aventura que vivemos nos Açores.

Aqui de relance para abrir o apetite.

aquela era para ser mais uma noite de calmaria na pequena ilha de São Jorge. Debruçada sobre um mar tranquilo, a varanda do quarto do hotel dava passagem a uma brisa tímida. Já deitada, de luz apagada, mas de cortina aberta, eu olhava para fora sem prestar atenção em nada. De repente, me dei conta de que estava no meio do Atlântico, abrigada em um pedacinho de terra – 56 quilómetros de comprimento e 8 quilómetros de largura – que nada mais é do que um conjunto de vulcões extintos, sujeito a terramotos. Num instante compreendi tudo: as inúmeras igrejas, ermidas e capelas. As festas, as rezas. É tão frágil a existência dessa gente – os açorianos. Não admira que eles sejam assim: simples, alegres, generosos e devotos. Meus pensamentos não foram muito longe. Logo, uma sinfonia (...)

Saborear mais.

Nos Açores com o
PASSEIO DE JORNALISTAS

É este o modelo de "desenvolvimento" que querem? Fiquem com ele! Obrigado.

Vem aí mais uma ofensiva do betão:
morrem aldeias à mingua
mas salvam-se os bancos…
É a crise, dizem-nos!

Penalva de Alva, 17 de Janeiro de 2009

Eu, cidadão abaixo-assinado, escriba de profissão e jornalista por vício, venho por este meio declarar publicamente que – nunca tendo obtido lucro de especulação imobiliária ou de jogo na bolsa, nunca tendo frequentado “offshores” ou paraísos fiscais, nunca tendo pertencido á administração de loja bancária, para-bancária, ou de penhores, nunca tendo exercido responsabilidades de controlo bolsista ou de supervisão banqueira, nunca tendo experimentado financiamentos públicos, fundos perdidos, avales ou contrapartidas do Estado – me considero inocente em relação às causas efeitos e consequências do (anteriormente) chamado “crescimento negativo”, agora (já oficialmente) denominado por “recessão” e que futuramente poderá vir a ser conhecido como “deflação”.

(...)
A varanda abre-se para a encosta, prolonga-se até ao vale… a esta hora apenas suspeitado no novelo branco que cobre o Alva: um carreiro de nevoeiro que pesponta o desenho do rio.
Manhã clara de sol, com Estrela e o Açor no horizonte e, à riba do Alva, a meio dos cumes, a Aldeia das Dez e a adivinhação da estrada para a Senhora das Preces.
(..)
Vinha de uma reunião, uma assembleia, que deu para que ficasse a pensar nessa tal crise da Economia Global, enquanto ouvia gente – na sua maioria rostos já percorridos pelos sulcos da idade – interrogar o futuro dos seus pinhais ameaçados por espécies vegetais invasoras, larvas assassinas, incêndios destruidores e intermediários madeireiros que lhe levam quase tudo.

(...) deverá parecer estranho que uma meia centena de pessoas de umas aldeias à volta estivesse ali para ouvir notícias de bloqueios às ajudas de manutenção dos seus soutos e pinhais, de Planos de Gestão Florestal, de belezas e aproveitamento de medronheiros (com virtudes de aguardente de medronho), de preservação de azevinhos e azeireiros (de que o autor destas linhas, confessa, nunca tinha ouvido falar).
(...)
E fui assaltado por recordações de infância preenchidas pela figura dos guarda-republicanos a cavalo perseguindo gentes da freguesia de Sampriz (Ponte da Barca) pelo crime de levarem as suas ovelhas a pastar nos baldios do povo… de que os Florestais se haviam apossado. A par de umas palavras, ouvidas já não sei bem em que Minho ou Trás-os-Montes, que interrogavam sobre o que haveria hoje para funcionários e activistas ambientais poderem reclamar como objecto de preservação… não fora gerações e gerações de agricultores e pastores terem mantido um são convívio com o meio ambiente que habitavam; E se, defesa da diversidade das formas de vida, não deveria incluir preocupação e empenho em relação aos exemplares da espécie humana que compartilham (também) esses territórios.

(...) Num pais cada vez mais macrocéfalo, com metrópoles onde se amontoa gente e problemas de toda a espécie, aldeias que vão morrendo à mingua de habitantes e vilas, (elas mesmo) condenadas à extinção.
O betão semeado a esmo em nome do progresso, sem medidas de revitalização do tecido económico e social local, não significa vida melhor nem fixação de populações. E as auto-estradas levam mais do que trazem…

É este modelo de “Desenvolvimento” que querem para o nosso futuro como país e nação? Fiquem com ele. Obrigado!
(...)




Excertos de um texto originariamente publicado na revista
Café Portugal.
Na íntegra aqui
.

20 janeiro, 2009

Riqueza de paisagens, de quintas e de vinhos em São João da Pesqueira

Um fim de semana no Alto Douro, à descoberta de São João da Pesqueira, com histórias e sabores para contar...


Na revista "O Escanção" Santos Mota viaja as paisagens que marcaram mais esta incursão do Passeio de Jornalistas no Alto Douro Vinhateiro.

Passeie também com ele. Aqui.



+ sobre o PASSEIO DE JORNALISTAS
em São João da Pesqueira

12 janeiro, 2009

Fundão: Na beira da Estrela... da Gardunha à Cova de Beira

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS no FundãoAs aldeias, o xisto, as casas, os que lá vivem, os que lá passam: um Passeio de Jornalistas pela Beira Interior.

«Da serra da Gardunha à Cova da Beira» foi o mote.

Houve aldeias serranas para conhecer e pessoas para descobrir.

Tudo aqui retratado nesta galeria de imagens.


Diário de Bordo do
PASSEIO DE JORNALISTAS NO FUNDÃO

De São Jorge à Terceira, entre queijos e verdelhos...

Entre queijos, memórias de vinho que já houve em São Jorge e uma prova de Verdelho nos Biscoitos da Terceira, imagens e paisagens de duas ilhas do Arquipélago Açoriano. Ainda ecos do Passeio de Jornalistas nos Açores

Santos Mota saboreia, na revista "O Escanção", sabores, néctares e vistas das ilhas.

Para degustar aqui.


Nos Açores com o
PASSEIO DE JORNALISTAS

08 janeiro, 2009

Geografia turística ou banquete partidário em ano de eleições?

Não acredito no que dizem
por aí!

Não pode ser verdade!

A manipulação política, os arranjos partidários, a falta de vergonha institucional não poderia ser levada a tal extremo.

Primeiro vieram dizer-nos que não se justificavam tantas Regiões de Turismo. Que era preciso criar entidades de Promoção Regional fortes, dotadas de massa crítica e capacidade de intervenção, capazes de assegurar a promoção turística das respectivas regiões.
Nas faldas da Estrela,
na borda da Gardunha,
na beira do rio,
no Fundão.

Depois subverteram tudo e vergaram-se às pressões dos barões do Partido e desataram a retalhar o mapa original para satisfazer clientelas e amizades.

Mas o mais grave estava para chegar… e descobriu-se que a falta de respeito democrático levou a que nem as escolhas políticas locais das populações – expressas em eleições autárquicas que, declaradas válidas, exigiam leitura adequada e respeito pelas escolhas. Em vez disso, cozinharam-se Entidades Regionais, Pólos de Desenvolvimento, direcções e presidências... a bel-prazer das necessidades partidárias (mais fortes agora, que a crise aperta, o desgaste político é evidente e as eleições estão à porta).

E aquilo que não foi alcançado nas urnas é conseguido na Secretaria: o PSD, força maioritária autárquica (por isso detém a Presidência da Associação Nacional de Municípios) quase desaparece. O Partido Comunista é varrido do Alentejo. Tudo da mãozinha da “rosa”, num Portugal cinzentão… quase de partido único. Nem Cavaco no seu melhor… trabalharia assim!

E como se isto não bastasse, chega agora a ameaça (quase apetecia empregar o termo chantagem) dirigida aos municípios que, por não estarem de acordo com o processo ou por não haverem (sequer) - sido consultados, não reconhecem as ditas entidades Regionais (ou os Pólos de Desenvolvimento) e decidem manter-se fora de todo o processo. A uns e a outros está a ser respondido que se persistirem nessa posição não poderão candidatar-se a verbas do QREN(1) destinadas ao turismo. Uma ameaça declarada utilizando... dinheiros públicos nacionais e comunitários (que são de todos nós) como arma de pressão.

Em que país estamos? Na África das guerras tribais e dos “senhores da guerra”? Nalguma oligarquia da América Latina?

(1) O Quadro de Referência Estratégico Nacional constitui o enquadramento para a aplicação da política comunitária de
coesão económica e social em Portugal no período 2007-2013.


05 janeiro, 2009

São Pedro do Corval: Vidas feitas de barro...

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas Terras do Grande Lago"São Pedro do Corval é uma aldeia com vidas feitas de barro, mas que começam a perder-se para outros ofícios mais rentáveis. Dez horas de trabalho diário para viver do barro. Oleiro desde os 14 anos, Rui Santos passou a infância a brincar com a matéria-prima que dá origem a peças únicas, características da decoração alentejana. (...)"

O Passeio de Jornalistas andou por lá. Agora, na revista Café Portugal, a Sara Pelicano conta as mãos, as artes e as vidas.

A ler aqui.

02 janeiro, 2009

E para as Festas? Umas amêndoas doces de Moncorvo?

(...) «Pode provar se quiser; não paga por isso», afiança a «cobrideira», entre arremedos vigorosos de mãos-cheias de amêndoas, fervilhantes, dentro do grande tabuleiro em cobre. Sob o utensílio, num pote de barro, as brasas ardem em borralho. O fogo, lento, aquece desta forma o tabuleiro. Reparamos nos dedos de Cândida, protegidos por um pequeno exército de armaduras. Dez dedais constroem o escudo que separa as pontas dos dedos da «cobrideira» do calor intenso do tabuleiro. (...)

Na revista Café Portugal, Jorge Andrade conta artes e dedos de mulher de Moncorvo. A ler aqui.

30 dezembro, 2008

Invente o seu Ano Feliz! Faça boas Festas!

Não sei se é um desejo, se um recado ou um desafio...

Para fazer seu o cartão que aqui lhe deixo, terá apenas de clicar sobre ele. As imagens dizem aquilo que eu não tive arte para pôr em texto.

E, seja como fôr, tente construir o seu Ano Feliz e... não se esqueça das Festas!

Café Portugal - Invente o seu Ano Feliz! Faça boas Festas

20 dezembro, 2008

De Cabo Verde, do Nuno, do ano que aí vem...

Para o Novo Ano, os votos que atravessam o mar desde Cabo Verde. São do Nuno Rebocho.

Aqui os fazemos nossos. E compartilhamos com todos que gostam de nos frequentar e... de ficar á conversa na esplanada do Café Portugal.

A todos (amigos e inimigos): BOM ANO 2009

IRREDENTA ESPERANÇA


escondo-me no saco dos brinquedos:
ainda aí guardo esperanças e segredos
fechados a sete chaves.
deles por enquanto nada direi
- quero-os irredentos
puros (sagrados)
como serão os corpos nos noivados
e são as mulheres que eu amei.


escondo-me mas não deserto. fico
à espreita na tocaia a que me dedico
sempre à espera de novidades.
sei que virá o tempo
de abrir o saco
e sacar lá de dentro outro pacto
com a chuva com o sol e com o vento.


eu sei: virá o tempo. e então direi
quanto esteve sufocado e conservei
com força de medrar e viço
e alma. direi o chão
da aventura
regada pela viva água da ternura
onde por nossas mãos brotará o pão.


eu sei: virá o tempo.




Nuno Rebocho
15 Dezembro 2008

E o museu conta a aldeia que o Grande Lago submergiu...

A Aldeia da Luz foi sacrificada para tornar possível o nascimento do Grande Lago.

Das promessas aos seus habitantes, uma boa parte está por cumprir.
E os filhos da aldeia agora transplantada para uma cota superior á da área inundada nem sequer conseguem encontrar forma de lá continuar a viver se entretanto casarem e constituírem família: um qualquer problema burocrático(?) empurra-os da EDIA para a Câmara Municipal de Mourão e desta para a primeira... sem que consigam local para a casa onde queriam morar. Assim, os casais jovens vêm-se obrigados a ir viver para qualquer outro lado....!!!
Não foi isto que lhes prometeram, nem é assim que se evita a morte de uma aldeia.

Da passagem pela nova Aldeia da Luz, a atenção da Sara Pelicano ficou presa ao Museu que, na linha de horizonte da velha aldeia agora submersa, conta as memórias das vidas que por lá se viveram.


Um Alentejo de Marca...

O Passeio de Jornalistas viajou margens e águas de Alqueva.
Ficaram imagens ecos e sinais...

PASSEIO DE JORNALISTASno Grande Lago - revista CAFÉ PORTUGAL

Para ler na íntegra, siga o link

19 dezembro, 2008

São eles que dizem: CAFÉ PORTUGAL em 1º lugar

Café Portugal - Tabela TechnoratiO Café Portugal aparece em primeiro lugar nos números do Technorati em relação aos blogues portugueses que abordam a área do Turismo.

O "Fugas", blogue do suplemento com o mesmo nome do jornal "O Público". surge em 2º lugar.

Aqui não há mérito nenhum nosso: ele cabe por inteiro a todos os blogues que decidiram colocar um link para este nosso Café.

Obrigado e... apareçam quando quiserem. A porta do estabelecimento está sempre aberta e à vossa espera!

18 dezembro, 2008

Fiquem com o cimento armado, que... eu vou passear!

E bruscamente descobriram o Turismo como elixir milagroso e mezinha para todas as maleitas. Da balança de pagamentos, ao desemprego. Sem cuidarem de saber se… do remédio não virá a morte do doente, à força de o pretenderem pujante e soberbo.

E apostam vendê-lo a metro. Confundindo imobiliária, que é cimento armado e construção civil, com indústria do Turismo, que é lazer, acolhimento, descoberta, prazer de viagem e passeio. Como se pudesse existir alguma ligação entre as duas. E se a primeira – quase sempre - não matasse a segunda. Ou se, pelo menos, não a desvalorizasse: banalizando destinos à força de os tornar semelhantes com o afã de responder ao que erigiram (não se percebe bem porquê) como motivações de consumo de visitantes e passeantes. Esquecidos, até, daquela máxima que diz que (o que vende) é a diferença.

Olhando para a febre de Planos de Interesse Nacional que por aí vai, quase apetece dizer, «abençoada crise económica» (aqui se me der na gana posso mesmo falar em recessão) sim, abençoada crise… se der para fazer desistir da construção de umas quantas “aldeias de índios” para turista pernoitar ou senhor da cidade grande fazer férias. E talvez os terrenos circundantes da bacia de Alqueva se não encham de casinhas a macaquear construção tradicional de cal e passado, em aldeias de brincar. Há quem tenha esquecido mesmo de onde vieram os dinheiros para a barragem e a justificação (interna ou comunitária) para esse gasto.

Chegámos a um extremo de delírio tal que já há quem não consiga olhar para um terreno na beira de água sem imaginar campos de golfe… apartamentos de férias e… (claro!) um SPA.

Por mim, este fim-de-semana vou para o Sul, para as Terras do Grande Lago. Desvendar velhas artes de olaria no Corval, ler segredos de pedra e história em Monsaraz, encher olhos e alma com aquela imensidão de Alqueva. E quero reencontrar o Degebe, provar o caldo de cação, as migas, o cozido de grãos, o porco preto. E quero as modas e cantes de um coral alentejano. E quero sentir a terra como se lhe pudesse guardar brisa, cheiros e cores.

Precisava de mais tempo para reencontrar rostos e ingenuidades e estórias. Fica para outra altura. Com mais tempo. Com mais calma... de Alentejo!

Texto originariamente publicado
na revista Café Portugal

17 dezembro, 2008

"CAFÉ PORTUGAL, Prazeres de Viagem e Passeio", uma nova revista electrónica para contar o país

De viagens e passeios, de aventuras e prazeres se faz a nova Revista Electrónica que vem alargar a rede do Café Portugal.

Desafio-vos a passar por lá e a uma navegação sem escolhos mas com muitas surpresas de caminhos e paisagens.

Nasceu agora. Está à espera das vossas opiniões e achegas. Mas já está a dar que falar...


O seu lançamento ocorreu na passada sexta feira no decorrer de um jantar com uma vintena de profissionais da Comunicação Social no restaurante "A Maria" no Alandroal. no âmbito do Passeio de Jornalistas às Terras do Grande Lago.

Noticiava a Agência Lusa que "divulgar o papel do turismo no desenvolvimento regional é o principal objectivo do “Café Portugal, Prazeres de Viagem e Passeio”.

“www.cafeportugal.net” é o projecto de um jornalista com mais de 20 anos de “vício de andarilho pelas terras da língua portuguesa", em busca dos rostos e paisagens que serviram de pano de fundo a programas de rádio como o “Passeio das Virtudes”, “Chão da Festa” e “Feira Franca”, contou à Lusa o fundador da revista, Rui Dias José.


"Construir uma revista pode ser um acto de enamoramento ou de apaixonamento: Perseguindo uma ideia... um projecto; buscando formas diferentes de contar e de dizer, equacionando diversificadas tecnologias e apostando em novos públicos" - escreve-se na num dos textos de apresentação da nova publicação electrónica.

Entre as reacções na net, ao surgimento deste novo espaço de notícia e debate, destacam-se aqui as do Açoriano Oriental do Repórter do Marão e do Diário dos Açores.


16 dezembro, 2008

Na ponta dos dedos, nos braços das árvores, na beira do Lago, nas margens de Alqueva...

Passear as margens do Grande Lago.
E entre paisagens e gestos, adivinhar futuros, prazeres de viagem, modos de sobrevivência...

De velhas artes falam os dedos do oleiro do Corval. Como a apanha da azeitona conta ciclos de fertilidade...
Numa terra entumecida pelo maior lago artificial da Europa, mais um Passeio de Jornalistas.

O Antunes Amor andou por lá uma semana antes para produzir uma antevisão fotográfica.