14 julho, 2009

O Setembro das Festas era um sonho de papel?

Será interessante seguir o modo como os Blogues de Campo Maior (e são bastantes) se vão posicionar um relação às revelações que se anunciam num conjunto de trabalhos que a revista Café Portugal prometeu sobre o futuro das Festas do Povo de Campo Maior.


Para abrir o apetite, a série abre com uma visão global do impasse actual, pelos olhos de diversos intervenientes locais.

Valerá a pena ficarmos todos atentos.

09 julho, 2009

Em direcção à Beira Alta... até Viseu!

Passeio de Jornalistas: 17, 18 e 19 de Julho


Agora, vamos em direcção à Beira Alta, cruzamos as portadas da Catedral e do Museu Grão Vasco, passeamos o Fontelo, trepamos o Monte de Santa Luzia, o Picoto ou a Senhora do Crasto, passeamos Silgueiros, experimentamos as Termas de Alcafache...

E, sem desprezar morcelas e chouriças, provamos a vitelinha, o cabrito, o arroz de carqueja ou o polvo, brindamos com um tinto do Dão, rematamos com umas castanhas de ovos...

Se apetecesse o namoro, haviamos de oferecer aquelas flores de papel com promessas em verso. E, pelas bandas da Feira, um pote de barro negro ou um bordado de Tibaldinho.

Daqui a uma semana... a caminho de Viseu! Sempre com uma música em fundo e histórias de ver e contar.

08 julho, 2009

A caminho de Viseu... vai o "Passeio de Jornalistas"!

Canções Infantis em Português

Indo eu, indo eu,
a caminho de Viseu...


Apeteceu esta toada de jogo e traquinice de infância para celebrar a partida à descoberta de Viseu.


Ainda eu não suspeitava Viseu e já a canção ouvia...

Normal que a escolha agora para celebrar mais esta incursão do Passeio de Jornalistas. Não serei original... muito mais gente a usou a propósito de tudo e de nada que com Viseu tivesse a ver. Mas... isso também não é coisa que me tire o sono.

E 17, 18 e 19 de Julho ficam como dias escolhidos para a aventura nas terras que se reivindicam "de Viriato".

02 julho, 2009

Ministro dá a Cara em defesa do Teatro Popular

O Governo assume a defesa de uma das formas mais genuínas de Teatro Popular.

O Ministro Manuel Pinho não hesitou, na Assembleia da República, em afirmar (do modo mais entusiástico e vibrante) o seu apoio aos Caretos de Podence.

Numa sentida homenagem a uma das mais genuínas formas de arte popular, o ministro que detém a tutela do Turismo não se poupou a esforços para exemplificar alguns dos gestos mais característicos e sugestivos de uma manifestação cultural cujas origens se perdem na memória dos tempos.

Lamenta-se apenas que a actuação de Manuel Pinho tenha sido coartada pelo Regimento da Assembleia da República que não prevê a possibilidade de “chocalhar as moças” dentro do hemiciclo.

Tudo leva a crer que o próximo Entrudo de Podence venha a contar com alguns reforços de peso porque, a acreditar no que hoje se testemunhou em São Bento, além do ministro, marcarão presença nas festas daquela aldeia do Concelho de Macedo de Cavaleiros alguns membros do seu Gabinete e do seu quadro de acessores.

Um esforço meritória para garantir que o Portugal profundo e genuíno constitua, cada vez mais, uma “Marca” do Produto Turístico Português.

E… ingredientes bastantes para garantir o êxito antecipado do próximo Entrudo de Podence.

25 junho, 2009

Interrogar o Futuro em Castro Marim

Pelas bandas do sul, com o Passeio de Jornalistas, andou Santos Mota. E a viagem se fez relato e reportagem....


Nas paginas de "O Escanção", a história de uma incursão por Castro Marim, à vista do Guadiana, com sabores e paisagens para sorver devagar. Aqui.

PASSEIO DE JORNALISTAS em Castro Marim

22 junho, 2009

Crise trava «resorts de pulseira» no Alentejo? Abençoada crise!

  • Como, porquê e com que intenções, deixaram morrer (mataram?) as “Festas do Povo (Festas dos Artistas) de Campo Maior. Mas será que elas estão mesmo mortas? Ou, depois deste longo hiato, um ano destes… os pandeiros e as “saias” vão puxar para a dança os dedos que sabem “torcer papel”, fazer nascer uma flor ou “enramar” uma rua?


  • Não há pachorra para este Alentejo morno (morto?) que nos querem vender, repleto de cenários de “resorts” que (excepto os seus promotores, obviamente) ninguém quer, na beira de uma água litoral ou interior, seja na Costa Alentejana ou nas margens de um Guadiana e Degebe que estenderam braços e fôlegos até se fazerem Bacia de Alqueva.


  • A crise está aí. Há hotéis no Algarve que não renovam contratos a prazo ou esquecem os prazos dos salários. E o Senhor Ministro da Economia e o Senhor Secretário de Estado do Turismo fazem de conta que não dão por nada, inebriados por auto intitulados “Projectos de Interesse Nacional”(???) que mais não são que modo de vender lotes de terreno, vivendas e outros produtos afins do sector da “imobiliária turística”, ramo subsidiário da construção civil, que nada tem a ver com a Indústria do Turismo.


  • É legítimo o anseio de qualquer um à sua segunda, terceira, quarta, etc. habitaçãozinha. Mas, por favor, não chamem a isso Turismo - a expressão “turismo residencial”, de tão inapropriada, desajustada e desadequada ao que se pretende encobrir com ela, chega a ser obscena!


  • Nós não merecemos isto. O futuro do país, as suas novas gerações, não merece(m) isto!
Excerto de um editorial da Revista Café Portugal
que pode ler na íntegra aqui

05 junho, 2009

Um tirador de cortiça, um queijo de São Jorge, umas vistas da Gardunha, a arte de fazer um cesto, um moinho de maré...

Newslleter nº nº 7 – 4 a 10 de Junho de 2009

Cortiça - Um contrato entre gerações

Junho leva para o sobral um frenesim de trabalho. Com os dias quentes inicia-se o «descortiçamento» do sobreiro. Uma boa cortiça, só ao fim de 40 anos. Quem lança à terra a promessa de sobreiro, faz um legado de valor à geração seguinte.

Açores – São Jorge através do queijo

Num início de manhã propomo-nos percorrer a Rota do Queijo da ilha de São Jorge. Um convite para conhecer um produto de Denominação de Origem Protegida, logo identificado com o arquipélago Atlântico.

O dia-a-dia nos «novos» moinhos de maré

Uma ida a dois moinhos de maré no Tejo e estuário do Sado. Uma viagem de descoberta pela vida e dinâmica destas estruturas engenhosas.

Aventura no Fundão –Portos de abrigo

«Da serra da Gardunha à Cova da Beira», deu-se o mote e fez-se o Passeio. Houve aldeias serranas para conhecer, rostos revelados, paisagens descobertas.

Pastorícia - Em cerca de 20 anos a actividade pode terminar

Tradição e sustento milenar, a pastorícia carece de reconhecimento e de incentivos. O projecto PASTOMED revelou uma realidade perturbante: o desprestígio da profissão não atrai jovens. Em cerca de 20 anos a actividade pode terminar.


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30 maio, 2009

Troca-troca da véspera... prato de sustância ao almoço!

E o ar de contentamento (quase felicidade) com que nos servem um crime fresquinho, à hora de almoço?

A notícia vinha da madrugada. Mas, para ser convenientemente degustada, precisava de umas imagens no local e de umas testemunhas oculares (desta vez, pelo menos uma ou duas ate tinham óculos!).

Passemos à Sorte Grande das televisões naquele princípio de tarde. A SIC abriu com isso, as outras não reparei. Uma história curta e de fácil entendimento:

Uma cáfila de amantes do Jogo da Bolha reuniu-se em conclave para umas compras e vendas. À socapa – como resulta da ilegalidade de um negócio que dá para limpar tudo o que seja dinheiro sujo (da droga à prostituição, das armas até aos, ainda, mais desprezíveis tráficos).

Gente fina, uns 700 mânfios, se calhar… alguns acima de toda a suspeita.

Estavam eles no troca-troca, entram mais 3 do mesmo jaez, dizem que são polícias e “está tudo preso!”.

Nestes casos, a consciência pesada até dá asas às pernas. Cada um pira-se como pode, os polícias de brincar sacam mais de um milhão de euros e desaparecem sem esperar que cheguem os polícias a sério.

O interessante deste caso… é que não há caso: nenhum dos cidadãos aliviados dos seus euros vai apresentar queixa (se calhar ainda teria de explicar de onde veio o dinheiro que voou).

Longe de aplicar a máxima ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão, a SIC lá encontrou matéria para abrir o noticiário das 13h00...!

O país segue dentro de momentos.

25 maio, 2009

Mãos de barro no Corval...

Saído da terra,
contém todas as formas
que hão-de revelar-se
com o “sopro da vida”
de mãos e de dedos.

É o barro!
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Patalim pode ser nome de olaria... mas é, sobretudo, designação de extirpe de oleiros, qualificativo de mãos e artes.

Quando os dedos percorrem o barro e lhe dão forma e sentido...

Aqui, é Alentejo.
Aldeia oleira do Corval,
com Monsaraz à vista e
o Grande Lago por perto.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

E o barro se faz prato, travessa, bilha, galheteiro...
E o barro se faz objecto utilitário ou peça decorativa.
Ainda na esperança das cores e do abraso do forno...


Passado o afago dos dedos, inventadas as formas... é aqui que o barro se veste de cores: E mãos de mulher...
pincelam-no de vida.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Traço a traço, cor a cor, forma a forma... é o mergulho nas memórias que dos árabes vieram à mistura com geometrias e jogos.

Como se fora um bordado ou uma renda...


Ou quase só... umas flores. Ramo de mão cheia, viçoso e acabado de trazer do campo, ao centro. E corolas outras, esvoaçando em volta.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Tudo em tons quentes de Alentejo.


E a ingenuidade deste fundo prato?


Nas calmas do Verão, há-de valer o barro.
Para a água, para o vinho, que irá refrescar gargantas e acalmar securas.
De todos os tamanhos e ambições...

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Junto à boca do antigo forno (que técnicas mais recentes converteram em elemento decorativo) alinham-se peças à espera de quem por elas se apaixone e... as queira levar consigo.


Porque é isso a vida do barro e...
do oleiro.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval


Sorte diferente das rejeitados, recusados ou com defeito.
Sacrificadas na procura da perfeição, feitas desperdício, no canto que as levará ao lixo.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nas terras do Grande Lago - Corval

Rui Santos, 31 anos de idade, oleiro desde os 14…
mas com toda uma infância a brincar o barro na oficina fundada pelo avô.

É o mais jovem oleiro
do Corval.


Palavras de Filomena Afonso
para umas belíssimas imagens de Zé Mendes

Passeio de Jornalistas nas margens do Grande Lago

15 maio, 2009

Jornalistas à descoberta de Trancoso

No rasto de uma profecia de Bandarra, na esteira de antigos vestígios Judaicos, uma vila medieval, uma paisagem de sonho e... uma cozinha de estalo!


Desta vez o Passeio de Jornalistas desafia para uma incursão a Trancoso.

Não fazemos profecias (não temos os dons do mestre Sapateiro Bandarra, natural daquelas terras) mas prometemos um fim de semana de magníficas paisagens, com um riquíssimo património histórico e uma sedutora moldura gastronómica.

15/16/17 - Maio - 2009

PASSEIO DE JORNALISTAS em Trancoso

24 abril, 2009

Das baleias aos flamingos, com tempo para umas mãos... de arte popular!

Newslleter nº 1 - 23 a 29 de Abril de 2009

Castro Marim, o “Algarve Outro”

Da beira do mar, pelo Sapal, à vista do rio e dos castelos ao encontro da serra algarvia.

Ilha do Pico: Baleia à vista

Fomos ao Pico e falámos com aqueles que viveram no mar a epopeia da captura da baleia. Sobre as ondas também se caça. Aqui, o toque da recordação.

Artes e Ofícios: um sector desvalorizado

O Centro Regional de Artes Tradicionais (CRAT) lamenta a falta de visão estratégica para um sector desvalorizado.



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09 abril, 2009

Afinal... sempre vimos o voo dos flamingos

Andavam esquivos os flamingos. Quase só se deixando avistar de longe, com a ajuda dos binócolos que mão amiga da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim nos emprestou.

Valeu-nos um pequeno bando que resoveu levantar voo e sobrevoar aquele caminho entre salinas.

Fotografado logo ali, sem remissão... e com alguma sofreguidão. Branco, rosa e negro em pleno voo. Lindo!



PASSEIO DE JORNALISTAS em Castro Marim

06 abril, 2009

Entre Mar e Guadiana, em Castro Marim...

* Cinco núcleos de desenvolvimento turístico aprovados. Um investimento de cerca de 500 milhões de euros. Quando o projecto estiver concluído, o concelho contará com mais nove mil camas.
* A Entidade Regional de

Turismo do Algarve "não tem uma presença forte" no concelho de Castro Marim, limita-se à promoção dos eventos, afirma respectivo Presidente da Câmara.
* "
Acabou um certo modelo de subsídio", responde o Presidente do Turismo Algarvio: "anualmente gastamos perto de três milhões de euros na promoção e marketing da região".

O Passeio de Jornalistas em Castro Marim nas páginas da Revista Café Portugal.

PASSEIO DE JORNALISTAS
em Castro Marim

20 março, 2009

Num voo de flamingo, pr’á beira do Guadiana, até Castro Marim

Celebramos o equinócio, damos as boas vindas à Primavera num santuário de aves e de flores silvestres. Enchemos o olhar de mar e de rios. Pisamos a terra. Calcorreamos caminhos.

Daqui a pouco vai estar na estrada mais uma edição do Passeio de Jornalistas. Agora, tudo a Sul, nas margens do Guadiana e da Ribeira de Odeleite, em Castro Marim: Uma Reserva Natural para descobrir, dois castelos para trepar, velhas artes e ofícios para reencontrar e muitas histórias e rostos para mergulhar.


Altura – Azinhal – Castro Marim – Odeleite
20 - 21 - 22- Março - 2009


PASSEIO DE JORNALISTAS
em Castro Marim

17 março, 2009

Um vinho, uma quinta, em Roriz, na beira do Douro...

O Passeio de Jornalistas calcorreou rio e margens de Douro em São João da Pesqueira, trepou socalcos de vinha e de sol, bebeu paisagens e vinhos.

Da Quinta de Roriz fala a Anabela Pereira nas páginas da "Olá/Semanário".

Saia mais uma rodada e saboreemos todos!

+ sobre o PASSEIO DE JORNALISTAS
em São João da Pesqueira

15 março, 2009

Por terras e águas de Alqueva...

Pelos caminhos de Alqueva andou o Santos Mota com o Passeio de Jornalistas.

A viagem, feita relato, está agora nas páginas de "O Escanção". Aqui.

Passeio de Jornalistas nas margens
do Grande Lago

05 março, 2009

"Descobrir PORTUGAL" ultrapassa a barreira dos mil membros!

descobrir portugal ultrapassa a barreira dos 1000 membros. Aquele que já era o maior grupo de Língua Portuguesa no Plaxo reforça a sua posição a afirma-se como referência na divulgação das coisas portuguesas.

A justificação da sua existência vem logo na descrição do Grupo:

"Porque há PAÍS e ROSTOS para mergulhar descobrir e... saborear!
Todas as enseadas e horizontes. Entre cores, e sentimentos, paisagens e sonhos, sons, sabores e saberes.

Porque estamos aqui, gostamos, desesperamos, apostamos, temos vontades e raivas.
Neste chão ou nos mares da diáspora, em português conversamos, conhecemos e discutimos.

O QUE QUISERMOS! QUANDO QUISERMOS E SOUBERMOS!"

As adesões a este Grupo de compartilhamento de mensagens, fotos e vídeos que contam a descoberta de Portugal pode ser feita aqui.

16 fevereiro, 2009

Uma Invenção para namorar a crise

E não é que, muito antes desta "modernice" do Dia dos Namorados, já havia quem insistisse em namorar?
Em terras do Minho era costume mesmo as moças bordarem o lenço para oferecer ao seu conversado.

Motivos singelos e recados de amor, escritos do mesmo modo como eram pronunciados:

E se o Ouro que se trazia ao peito era uma espécie de garantia ou caução para doença ou outro mal da vida (quase um PPR), também podia ter rasto de jura de amor ou preito de fidelidade. Ouro ou prata trabalhados como se fora um bordado ou uma renda...

Por essas aldeias fora aldeias fora, namoro era no portelo da casa. se fazia à porta de casa. E nas casas mais ricas era conversa (vigiada) de sala, com apropriados móveis. Como esta conversadeira...

... ou esta namoradeira. Que sempre iria permitir uns leves aconchegos sob ao atentos olhares da mãe guardiã de virtudes e falatórios.

Não fossem as necessidades comerciais que nos trouxeram o São Valentim, como é que nós, empedernidos de coração, iríamos aprender a namorar?

O denominado "Dia dos Namorados" é uma invenção recente entre nós, sem qualquer passado, memória ou raiz cultural. Tão recente... que ainda me lembro da sua invenção.

Estávamos em 1982. Já nessa altura se sentia a crise do pequeno comércio - assustado com a chegada dos hipermercados (sem imaginar sequer o gigantismo de Centros Comerciais a que iríamos chegar…!). A iniciativa foi da União dos Comerciantes da cidade de Lisboa que, para isso, pediu apoio à Rádio Comercial cuja redacção nessa altura eu integrava

O riso que me provoca agora quando leio algumas peças jornalísticas (?) sobre este tal “Dia dos Namorados” (ou dia de São Valentim"). Como se, entre nós, ele não se resumisse a uma estratégia (legitima) de comerciantes e afins para adiar encerramentos, falências e despedimentos. E então quando desatam escrever sobre apaixonamentos e romantismos…

Com o apertar da crises, este foi o ano de todos os namorados. E, para um singelo dia, foram meses de campanhas publicitárias. Com o leque de sugestões de presentes a dilatar exponencialmente. Tudo o que era restaurante inventou receitas e pratos especiais para a celebração. Como o dia não tinha qualquer rasto de celebração entre nós, tiveram de deitar mão a tudo o que era estrangeirice culinária ou arremedo de cozinha de autor.

Mas... dos hotéis ao perfumes, dos telemóveis às jóias, dos chocolates aos relógios, foi um corrupio de anúncios. Desta vez, nem as Regiões de Turismo quiseram ficar de fora e ofereceram escapadinhas(escapadelas?) ou love trips para animar o mercado - que... isto da procura interna... vai mesmo mal. Houve até uma marca de automóveis que propôs que você oferecesse uma viatura novinha em folha à pessoa amada (neste caso, independentemente do estatuto de relacionamento, seria mesmo uma verdadeira “com/sorte”).

A este frenesim publicitário ficaram agradecidos jornais, rádios e televisões para quem tal inusitado caudal publicitário constitui bênção e refrigério em tempos de contenção e de seca. E vá de aproveitar a boleia.

Em quase todos eles, a manifestação que veio do frio, mais exactamente da capital russa: "jovens do movimento "Nós" lançarão um apelo a todas as mulheres para recusarem fazer amor com os homens que apoiam a política do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin. Se a moda pega...

Ainda por cima não se percebe o castigo quando, como escrevia o Portugal Diário, os homens planeavam "gastar mais dinheiro do que as mulheres" nesta febre namoradeira. Talvez por isso menos o Jornal de Notícias apelava à publicação de mensagens na sua edição online com o argumento (sugestivo?) de que o "Dia de S. Valentim é a altura ideal para fazer uma surpresa ao seu mais-que-tudo". Mas a pensar nos tempos de incerteza e crise estava a a Agência LUSA que, em take disseminado por quase toda a imprensa, dizia que "amor, amor mesmo era se você oferecesse um PPR à sua cara metade". Também o Público referia que o espírito da quadra tinha tocado o coração de governantes israelitas que, em véspera do Dia dos Namorados autorizaram "os produtores palestinianos a enviarem 25 mil cravos vermelhos para a Europa".

E se O Record se fazia eco do lamento de Jessica Augusto que não "pode festejar o Dia dos Namorados com Eduardo, o guarda-redes do Sp. Braga", ausente em Valência, o Correio da Manhã dava voz à esperança da organização do "Eros Porto" de que "os casais adiram em força ao evento". Vá se lá saber porquê...! Mais discreta, a RTP sublinhava que as "propostas no Algarve premeiam os mais imaginativos". E o Diário Digital não hesitava em afirmar que "A amante deste século tem placa gráfica". Coisas...

Realista em relação aos objectivo dos festejos da data o Açoriano Oriental escrevia que o "pequeno comércio tenta resistir à crise" e o Diário Económico avançava uma listagem de "presentes originais para oferecer no dia dos namorados". E se até se entende que o Blitzz achasse que isso de Dia dos Namorados era mesmo para nos dar música e perguntasse "quais as vossas músicas românticas favoritas?", nunca esperei ver o Expresso a dizer: "Saímos para a rua para tirar a temperatura à paixão dos lisboetas. Há de tudo"...

Mas o que não percebi mesmo foi aquela notícia que veio lá dos confins do Oriente, acerca daquelas duas jovens, de uma associação de defesa dos animais que se iam despir "nas ruínas de São Paulo, em Macau, para apelar a residentes e turistas que no Dia dos Namorados optem por uma dieta vegetariana". Namorados? Dieta vegetariana? Elas lá sabem…