09 novembro, 2008

Por terras da Pesqueira (2)

São Xisto: renascer para o turismo

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São João da Pesqueira

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São João da Pesqueira


Subir do cais da Ferradosa, à beira do Douro, até à meia altura do monte onde se encavalita a aldeia de
São Xisto é uma viagem de descoberta que se faz a pé, com fôlego, em dez minutos. Esta “Aldeia de Portugal”, como indica o marco em madeira que aponta à localidade, é verdadeiro monumento à construção em xisto.

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A povoação, na freguesia de Vale Figueira, não conta mais de quatro habitantes. É pouco para uma localidade que chegou a albergar mais de 40 almas.São Xisto conta, no entanto, com o empenho de Narciso Lopes, natural da localidade, hoje empresário em Estarreja, para tornar um caso de abandono urbano, num espaço vivo, voltado para o turismo de habitação. Narciso Lopes que detém 90% do construído na aldeia, iniciou o projecto de recuperação de São Xisto para fins turísticos vai para oito anos.
O objectivo é audaz: reconstruir treze casas de xisto, a capela de Santo Ovídio (que contou para a recuperação com o apoio da autarquia local), o lagar de azeite e a adega. Obra feita, serão perto de 750 mil euros de investimento.

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O projecto final inclui, ainda, um posto de venda de produtos
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São João da Pesqueiraregionais e artesanato. Em funcionamento já estão, para além da Quinta, sete casas. O antigo lagar de azeite, serve de núcleo para acolher os visitantes e faz mostra de um lagar tradicional com utensílios e modos de produção.

Fotos: Jorge Andrade

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São João da Pesqueira

Doze dias de Aventura nos Açores (21)

Os horizontes abruptos do esplendor da natureza...IR PARA O PRINCÍPIO

Para suspeitar os Açores antes da chegada dos primeiros povoadores é obrigatória a visita
ao Parque Florestal da Silveira, na ilha de São Jorge: a natureza em todo o seu esplendor...
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Parque Florestal da SilveiraCafé Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Parque Florestal da Silveira
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Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Parque Florestal da Silveira
No roteiro dos miradouros sobre as fajãs... a dos Cubres, a lagoa de Santo Cristo...
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Fajã dos Cubres
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Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Fajã dos Cubres
Saboreadas as vista e feitas as fotografias da praxe, todos a caminho da Fajã do Ouvidor.
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Fajã do Ouvidor
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Fajã do OuvidorCafé Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS nos Açores - São Jorge - Fajã do Ouvidor
Desta vez o autocarro vai até lá abaixo. E o jantar é na beirinha do Mar, no Amílcar.
'Café'Café'Café


Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)
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Por terras da Pesqueira (1)

A bordo do rio de ouro

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São joão da PesqueiraCafé Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São joão da Pesqueira
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São joão da PesqueiraNo ar pairava o aroma das vinhas aquecidas pelo sol ameno de uma tarde de Outono. Depois do almoço no restaurante Cais da Ferradosa, com vista privilegiada para o rio Douro, o corpo pedia descanso. Mas a promessa de um passeio de barco pelo rio despertou todos os sentidos. Um estreito passadiço na margem, com o coração a bater descompassado devido à iminência de um mergulho, se um pé teimasse em não assentar em terra, conduziu até ao pequeno barco, ancorado entre a vegetação do Alto Douro Vinhateiro.
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A popa da embarcação, onde se erguia imponente a bandeira da localidade que lhe dá nome, Vila Nova de Foz Côa, surgiu como o local ideal para sentir o balançar do rio Douro e o vento a bater na cara. Estavam criadas as condições para esquecer o mundo e repousar o olhar entre os socalcos pintados em tons de verde, castanho claro, e vermelho tinto. O comboio da linha do Tua surgia de vez em quando a quebrar o ronronar dos motores do Vila Nova do Côa, guiando a curiosidade pela margem. Rapidamente as garças, as cegonhas negras e tantas outras espécies de aves, que rasgavam o céu, conquistaram os olhares e levaram-nos por uma viagem sinuosa entre as curvas do Douro e a barragem da Valeira.
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Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São joão da PesqueiraAo longe ouvia-se conversa alegre e o tilintar de copos. A atenção girou para o interior do barco onde as confrarias da fogaça da feira e rabelo animavam os visitantes. Promover o vinho do Porto, os bolos tradicionais e adoçar a boca dos que estavam a bordo era a missão dos três confrades que pelo Vila Nova do Côa espalharam conversa e boa disposição. Neste ambiente de festa, a embarcação estacionou na eclusa da barragem da Valeira. O rio tem aqui uma descida acentuada, e o Homem criou este mecanismo de retenção, onde os barcos param a marcha e aguardam a descida do nível da água, até encontrar leito do rio.
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São joão da Pesqueira
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Cerca de vinte minutos de êxtase, a ver por dentro um grande poço de betão armado, que aumentava a curiosidade sobre o que encontraríamos do outro lado da imponente porta de cimento. Quase ao nível do rio, a porta começou a subir ligeiramente, criando uma queda de água. A cascata artificial obrigou a recolher na zona coberta do Vila Nova do Côa, para fugir a um banho. A reclusão momentânea terminava; o barco já deslizava pelas águas, a trocar buzinas com outras embarcações que partilhavam o rio.
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em São joão da Pesqueira
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Momentos antes da viagem terminar, uma ligeira paragem, no lugar de Cachão. Aqui uma enorme inscrição na encosta, assinala a morte no barão de Forrester, autor do primeiro mapa conhecido do Douro,

aquando da travessia do rio acompanhado por D. Antónia, uma das mais conhecidas comerciantes de vinho do Porto.

O Sol já tocava o cimo das montanhas do Alto Douro Vinhateiro, e num pequeno cais, entre as vinhas, o Vila Nova do Côa, encostou e deu por terminada a viagem pelo rio que dá vida ao ouro da região, o vinho.

Fotos: Jorge Andrade
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27 outubro, 2008

Convertido à terra em Moimenta da Beira...

Nós já desconfiávamos… mas agora vem o António Bondoso dissipar todas as dúvidas:

A BATATA NÃO TEM LÓGICA!

Uma exclamação de velho jornalista, de horizontes vastos e temporadas largas por São Tomé, pelo Porto, por Macau. Um camarada deste vício das notícias agora convertido à terra em Moimenta da Beira.


“E as batatas, os nabos, a fruta ? Não obedecendo aos critérios dos gabinetes de Bruxelas, não estando normalizadas - nada feito! Para deitar fora ou para vender ao desbarato ! O lucro - apenas para os intermediários ! Nem a tentativa das Cooperativas resultou !
(…)
Em vez de se perceber a lógica da batata, ficamos surpreendidos por ver que a batata não tem lógica !
(…)
É preferível dar o produto da terra do que o vender com prejuízo, abaixo do preço do custo de produção.”


Um excerto para abrir o apetite pelo Palavras em Viagem.

E, por favor, António. Não desistas da agricultura. Já quase não há. Compramos tudo fora. E ainda fazem celebrações gastronómicas... Para celebrar o quê? Se, em termos agrícolas, quase tudo vem da estranja...

(Continuo a não perceber como se pode fazer gastronomia portuguesa sem produtos portugueses. Deixem estar. Deve ser embirração minha!)

21 outubro, 2008

Um almoço no "Cortiço", em Viseu: Sabores com substância e... um convidado especial!

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS - Viseu
A chegar ao Largo Mouzinho de Albuquerque, em Viseu

Quem lhe conhece a justa fama não pode deixar de regalar apetites ante a promessa da mesa farta e boa. Ir ao restaurante O Cortiço em Viseu é sinónimo de antecipar prazeres gustativos em torno da cozinha Beirã. Desta feita, para além dos deleites gastronómicos, houve a garantia, concretizada, de presença ilustre. A mesa descontraída e informal serviu de bom propósito a uma conversa com Fernando Ruas, Presidente da Câmara Municipal de Viseu. Fernando Ruas, enquanto Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) também esteve presente, embora a circunstância de sentar 20 jornalistas à mesa visiense acabasse por sobrepor o edil ao responsável máximo da ANMP.

Antes do discurso, o lugar que lhe deu enquadramento. O Cortiço cresceu, mas fê-lo com comedimento, ganhando uma nova sala (do outro lado da rua Augusto Hilário, próximo à Praça D. Duarte), sem os exageros de grandeza pretensiosa que já eclipsaram muitos restaurantes. Frente a frente, entre portas são dois ou três passos entre o “velhinho” e o recente Cortiço. O novo espaço que serviu de assento ao presente repasto seguiu as passadas da casa fundada por Dom Zeferino nos anos sessenta do século XX. Serafim Campos, o actual proprietário, prescinde da opulência, aproveita a arquitectura original do edifício e criar ambiente com a pedra tosca e as madeiras que o tempo tratou. Tudo o mais é história à mesa, naquilo que a cozinha beirã oferece e inspira aos comensais. E inspira bem, julgando pela quantidade de mensagens deixadas pelos clientes em pedaços de guardanapo afixadas num painel (em cortiça, bem se veja) à entrada.

Deixemos os preâmbulos e vamos à mesa, traduzida no que se comeu e ouviu. Um almoço equilibrado entre garfadas bem temperadas de cozinha regional e palavras com travo a recados endereçados a Lisboa pelo autarca que, vai para 19 anos, “comanda” a câmara visiense.

À mesa assentavam os pratinhos de morcela e chouriça frita, afastando comedimentos e pedindo a acompanho uns nacos bem medidos de broa. Entretanto, a saladinha de polvo chegava entre pratos e pedia namoro, a despique, com os enchidos. Contiveram-se por mais algum tempo os apetites. O momento pedia discurso. Fernando Ruas assentiu e falou da “honra de Viseu ser uma cidade do interior”; mediu distâncias para concluir que estas não são somente geografia, mas também fluxos de decisão e de escolhas de vida: “a distância entre Viseu e Lisboa é igual nos dois sentidos. Há lugar no litoral, mas também há vida no interior do país”. Ruas servia, fumegante, o discurso da interioridade e, a pretexto, acrescentou-lhe o problema da educação: “por vezes, encerrar uma escola é sinónimo de fechar uma aldeia”.

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Restaurante "o Cortiço"
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Ao fundo, José Carlos Guerra,
o actual proprietário
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Fernando Ruas, presidente da Câmara Municipal de Viseu, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS - Viseu
Aqui, no largo do Adro, frente
à Igreja da Misericórdia...
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS - Viseu
um templo imponente
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS - Viseu
A Sé de Viseu

Estátua de D. Duarte
(uma obra de de Álvaro de Bree)
na praça com o mesmo nome
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS - Viseu
Porta do Soar,
uma das sete da cerca afonsina

Falou-se de obra feita e de afeições por rotundas. Fernando Ruas aceitou com esboço de sorriso o epíteto de “autarca das rotundas”. Para o responsável visiense, falar de rotundas é, sobretudo, “tratar as acessibilidades, a distribuição da circulação de e para a cidade; fomentar a economia. Para mais as rotundas podem ser elementos enriquecedores da paisagem urbana”. O tema da obra feita veio acrescentar algumas especialidades à refeição (à mesa, propriamente dita, os pratos de substância começavam a afastar os prazeres breves das entradas). Fernando Ruas sublinhou a requalificação do Campo do Viriato, novo assento para a Feira de São Mateus e a construção do funicular que ligará a parte baixa da cidade até à Calçada de Viriato, junto à Sé. A obra está orçada em dois milhões de euros e será realidade lá para Março de 2009.

A mesa estava completa. No Cortiço fazia-se jus a todas as promessas de um almoço servido com substância. A conversa prosseguiu informal, sem tom de discurso ou de circunstância. A ementa ainda prometia um tenrinho polvo frito, umas “feijocas com todos à maneira da criada do sr. abade”; o “cabrito assado no forno à pastor da serra”; um sublime arroz de carqueja.

Não se deu nota de digestões penosas.