27 janeiro, 2007

Pelas bandas de Portel... (6)

Há-de ser tempo de voltar, palavra!

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Vai longo o passeio, como se vê. Quando se acorda, no domingo, é tempo de emalar a trouxa, evocando o Sérgio Godinho. São as horas de despedida, como soe dizer-se. Passa-se, então, pelas freguesias portelenses: Santana, para nos ser mostrado um centro de dia, quentinho, as panelas já em vapores nos preparativos do almoço;

PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Centro de Dia em SantanaPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Centro de Dia em Santana

Oriola, com indústria de enchidos (a Fercarnes) que à prova merecem aprovação, de queijos (Valverde), tanto ou mais igualmente;

PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Enchidos de OriolaPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Enchidos de Oriola

e S. Bartolomeu do Outeiro, um miradouro de estalo, de há muito admirado de longe cá pelo admirador, e nunca antes visitado.

PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - vista de S. Bartolomeu do OuteiroPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - vista de S. Bartolomeu do Outeiro

Adeus, à mesa, no tal restaurante S. Pedro, com silarcas saídas da arca, pois as janeirinhas – as ditas, temporãs – ainda nem deram sinal de vida. Isto, mais uma rapsódia de sabores, com um debate informal sobre açordas, e o que com este nome se come pelas bandas de Portel. Por exemplo, um calducho nunca antes por mim provado, prato conseguido com bacalhau, o perfume especial do poejo, mais umas silarcas em sendo tempo delas.

PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Restaurante S. PedroPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Restaurante S. PedroPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Restaurante S. Pedro

Há-de ser tempo de voltar, palavra.

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)
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26 janeiro, 2007

Pelas bandas de Portel... (5)

Arribámos
a uma exploração vitivinícola,
a Herdade do Meio

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E porque estas andanças dão para ir acumulando atrasos, era já noite muito feita quando arribámos a uma exploração vitivinícola, a Herdade do Meio – para se ficar boquiaberto. É que esta é uma história fabulosa – de fábula, precisamente. Espera-nos o homem que meteu pés ao caminho – foi nascido lá para as bandas de Penamacor, e casou com alentejana – e mãos à obra.
Ora ouçam, se a memória não atraiçoa. De seu nome João Pombo, era homem do turismo, e quem o conhece atesta que levou o nome de Portugal por esses paralelos e meridianos fora. Às tantas, força dos tempos – será também coisa do El Niño – foi ele levado, seja isso o que for, a ceder num desses processos de concentração que leva os mais pequenos mas nem por isso menos apetitosos – veja-se os jaquinzinhos – a serem abocanhados pelos maiores e mais poderosos. Então, Pombo, vendeu, dizem que assisadamente. Só que, ficou sem poder voltar ao seu ramo natural de actividade, por contrato assinado nesse sentido.
Que fazer com a “pipa” de massa arrecadada? O lado alentejano do casamento a encarar a compra da tal casinha que tantos tem levado ao Sul. Buscando lá foi parar a esta Herdade do Meio, guarnecida de vinhas que, a um homem de negócios como ele, para mais com formação académica na área das gestões e economias, logo se impuseram como a saída para o capital que não deve ter mais que fazer do que reproduzir-se.
Meteu mãos e dinheiro – próprio e de crédito – à obra, a aprontou-se a ter vinho no mercado logo daí a uns meses, quando fosse tempo de vindima. Mas, inexperiente na área, não sabia nem supunha que havia uma crise do vinho. Ou seja, que os néctares do Alentejo são obra, são apreciados, mas no mercado há vinho a mais, e muitas adegas ingurgitam de produções antigas.
Morrer na praia, ele? Garante que não, ali ao frio e silêncio dos campos neste Dezembro calmo. Bateu-se por mercado, imaginou saídas, recorreu a amigos, e por fim lá veio generosa encomenda de garrafas. Ora, ele não tinha das tais reservas paradas, o que significa capital não reprodutivo, e pelo contrário até foi obrigado a subir a parada, ou seja, comprar mais uvas a produtores alheios, para cumprir a prometido.
Daí para cá tem sido um virote. O que lhe está atravessado na garganta é que a parte edificada da Herdade do Meio, esgotou a cota que lhe foi fixada no Plano Director Municipal que vigora no concelho de Portel. Construiu adega, instalações, mas o tal sonho de casinha ali à beira do negócio consumiu-se no malvado PDM. Lamento do empresário, espadeirando contra tudo e todos que são empecilho: não pode crescer tanto quanto podia e queria, para bem municipal, regional e do país.
Ataca, ataca. Ali, connosco, o presidente da câmara apara-lhe os desejos, reivindicações, tanto mais que o tal plano director vem de tempos em que ninguém imaginava este surto de crescimento: é a barragem, são os vinhos, é o azeite. E o turismo, ouviram?
Já investiu milhões, prepara-se para manter a semeadura, assim haja condições. Declara, alto e bom som, a deliberação de resistência, a este e outros empecilhos, a brigas com o IFADAP ou às alegadas picardias da Inspecção do Trabalho. Há mais milhões, presume-se, o negócio vinga. E já ele tem na manga um projecto de maternidade de porcos alentejanos, essa quintessência alentejana que avassalou a gastronomia portuguesa. É futuro que outros empresários também já exibem.
Foi jantar, então, recheado de declarações ribombantes: o marreco matado expressamente para este convívio esteve à altura, os vinhos da casa sobrevoaram (há um reserva que não é para todos os gostos, mas de gabarito). E ouviu-se o tal coral alentejano, dizimado pelos tais afazeres natalícios, como já assinalei. E o presidente da Câmara, lá se fez primeira voz, ponte entre dois estilos de cantar as modas.
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Herdade do Meio

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25 janeiro, 2007

Pelas bandas de Portel... (4)

Como se fosse uma motoreta,
sem exigência de carta de condução

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PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
Bom, a Nautialqueva espera por nós, ancorada nos seus barcos, barquinhos e barcões, mais o serviço de terra que em grande parte há-de ser. Agora, os pontões de atracagem já lá estão, com alguns dos devidos navios. Qual é a ideia? Bem, os franceses, por exemplo, já há muito aproveitaram a navegação nos vários canais que dão passagem entre rios, para fruição do turista de calmaria. Mas outros países de outras línguas aplicam a receita, e daí que os vários modelos de embarcações tenham vindo com nome à inglesa – house boats.
Chamemos-lhes amavelmente barcos-casa e entremos. O engenheiro Manuel Maia, que é sócio da empresa, põe a engenhoca em marcha e passa ao lado prático da navegação: “Ora, veja lá, que é mais fácil do que conduzir o carro”. E é verdade, navega-se facilmente, com um motor de baixa cilindrada, coisa como se fosse uma motoreta, sem exigência de carta de condução. É que lá está o sonar para dar conta da profundidade e de possível má vizinhança para o casco; o GPS, a dar conta até dos “piões”, a carta com tudo assinalado, o canal de navegação, as margens, as profundidades. Se for o caso de necessidade, de disparate do navegador, há alarme para recuar a tempo, telefone para pedir apoio…
Agora, imaginemos que há uma família a precisar de descomprimir: aí está, há quartos, há fogão, frigorífico, mesa, barbecue. E o serviço opcional para quem não quiser ir fazer compras, ou pressa de zarpar logo com a despensa abastecida – a gosto. Basta fazer e enviar previamente a lista do supermercado.
Depois é andar por ali: como um francês do último Verão, que se ficava no escuro, muito escuro, a contar as estrelas que já não pode ver lá nos céus ultra-iluminados de onde partiu. Havia de dormir depressa, que são mais, as estrelas, do que os carneiros todos do Alentejo.
Aprovado para este modo de vida. Hoje, quando por aqui nos é exibido o estilo de descanso em oferta, o Inverno fez-se doce, acordou frio mas de sol cordato, tudo calmo. E enquanto nos abeiramos da embocadura do Degebe no Guadiana, no meio dos idos alcantis das margens, abre-se um espumante, pousa-se os olhos no espelho da água, repousa-se o corpo numa das cobertas. E diz-nos o engenheiro que a empresa está para aproveitar tudo, e outros barcos de outras dimensões, e outros passeios, por ali se alinham. Ou sejam, estão no Alqueva não tarda outros, capazes de levarem grupos de congressistas, e outros tipos de exércitos.
Alqueva abaixo, já nos abeiramos do paredão, com velho receio na alma e no coração: a densidade autorizada para as margens da albufeira tem crescido na proporção geométrica da gula dos capitalistas; o gado que devia limitar-se aos montes não resiste a ver-se reflectido na água; já navegam sem GPS nem sonar algumas nódoas de lubrificantes e/ou combustíveis.
O autarca, ele próprio, reconhece as ameaças. Estas e outras, e diz-se atento e obrigado. Oxalá fique Portel imaculada nestas andanças do grande lago.
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva
PASSEIO DE JORNALISTAS - Navegando o Alqueva

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)
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24 janeiro, 2007

Entre o céu e a pedra

Domingos de Azevedo, em crónica no Revista VIAJAR, a propósito do PASSEIO DE JORNALISTA ao Fundão. para ler aqui.

23 janeiro, 2007

Pelas bandas de Portel... (3)

De Vera Cruz à Amieira
com Alqueva em fundo

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A terra, agora animada pela velocidade e proximidade proporcionadas por um IP, respira depressa. É que se trata de um dos concelhos beneficiados, do lado português, pelo “grande lago” do Alqueva, como aqui e ali se ouve com uma entoação de orgulho (e expectativa, que, por enquanto, é dominante). Ou seja, o marasmo de outrora, com verões em que a torneira nem pingava, dá lugar, a pouco e pouco, a barcos com motor fora de borda, projectos de empreendimentos turísticos, um mar de dinheiro. E tubarões, que esta água toda atrai estes bichos: os grandes no ramo das férias e lazer instalam-se.

PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel PASSEIO DE JORNALISTAS em PortelPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel
O presidente da Câmara quer mostrar-nos que é verdade. Leva-nos pela mão, de passagem pelo património de Vera Cruz, mais as suas heranças dos Hospitalários e o pedaço de lenho que sobrou das cruzadas. O antigo centro religioso e fortaleza lá continua, agora sob o olhar atento da autarquia que não deixa de apostar no lado seco do concelho, porque o turismo certamente não será só ir a banhos na barragem. Portanto, avançam projectos de estudo e divulgação.

PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Vera CruzPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Vera CruzPASSEIO DE JORNALISTAS em Portel - Vera Cruz
Os exorcismos que deram fama a Vera Cruz estão hoje fora de moda, mas há a memória dessa crença que levava gente de todo o lado à terra, à espera de influência benéfica por sortes do pedaço da vera cruz de Cristo – alegadamente colhido nas andanças de conquista da Terra Santa, ou de Fé extremada.

PASSEIO DE JORNALISTAS - Vista de Alqueva na AmieiraPASSEIO DE JORNALISTAS - Vista de Alqueva na Amieira
E Alqueva, enfim, que eu nunca tinha visto assim, a dar água pelos joelhos da Amieira, uma das freguesias portelenses, em margem que era do Degebe, e onde assentou arraiais uma das tais empresas viradas à água. Porque se trata de um relato, não de um relatório, deixem que assinale aqui uma breve passagem por uma indústria de mel – e que é bom, sim senhores. Até dá para aparecer nas lojas gourmet associado a uma outra etiqueta, lá da Serra da Estrela, o que é prova de estaleca.

CAFÉ PORTUGAL - Melaria da Serra de PortelCAFÉ PORTUGAL - Melaria da Serra de PortelCAFÉ PORTUGAL - Melaria da Serra de Portel

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)
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Pelas bandas de Portel... (2)

Gozo pessoal, divertimento
e o mais das circunstâncias

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Portel, da encosta do casteloCAFÉ PORTUGAL - vista de PortelPois foi. Desta feita escapou-me o Refúgio da Vila. Muitos caçadores por aqueles azimutes, a tropa toda do Passeio de Jornalistas, e o Rui Dias José deu comigo borda fora. Calhou-me uma Casa de Silharcas, albergue em formato unifamiliar que é desfrutado, nestes tempos,
sobretudo por citadinos de uniforme e caçadeira que precisam de colchão por umas horas. Ao alvorecer já eles levantam restolho e fazem o gosto ao dedo. Qual Portel? Qualquer pouso serve.

Nem era desagradável, a casa, apesar de por ali ter passado arquitecto modernaço ou similar. Quem vê o abrigo, de fora, a partir da Rua de Évora, imagina que por dentro há uma daquelas típicas casas alentejanas, mas a porta franqueia-se em espaço aberto de alto a baixo, com mezzanine e tudo, um aparelho de ar condicionado mal situado, e algum desconforto. Enfim.

O hotel rural deu, sim, para um jantar de boas vindas (idas), com presidente da Câmara e tudo, já em mandato renovado no pós-Vidigal Amaro. Agora é o tempo de Norberto Patinho, anfitrião completo, dedicado: ele não desgrudou durante os dois dias e tal desta visita do grupo ao seu concelho. Ou seja, queria mostrar o que tem feito, sem recusar a responsabilidade do que tem sido feito.

E lá renasceu a ideia de tempos idos: como um empreendimento turístico ajudou a dar a volta a uma pasmaceira… O restaurante é o mesmo, mas pareceu-me que para pior. Anima-se por ali a contabilidade em actividades diversas, até em cursos de culinária, e
talvez seja essa a explicação para o falhanço dos comes.Uma sopa de cação em que o excesso de farinha levou o caldo a um estado colóide, ou seja, muito semelhante ao que noutros tempos se preparava para fazer as vezes de cola. Sim, senhores. Mas não foi tudo: umas migas com carne de porco
Norberto Patinho e Rui Dias José
enviavam-nos direitinhos para as mesas de hotel com serviço de bufete. Desenxabido, em que qualquer semelhança com receitas alentejanas era pura coincidência.

Valeu o inesperado: às tantas, o tal senhor presidente da autarquia foi feito saltar do lugar e devidamente introduzido (desculpem a
influência do inglês) pelo co-anfitrião José, com a explicação de que é ele um dos mentores do tal grupo. Mas Patinho lá se explicou, e justificou que todo o grupo estivesse ali para um pouco de serão: eles nunca quiseram ser um grupo tradicional alentejano, assumiram que faziam aquilo
CAFÉ PORTUGAL - Grupo de Cantares Regionais de Portel
Trocada a fatiota...
por gozo pessoal, divertimento e o mais das circunstâncias.

CAFÉ PORTUGAL - Grupo de Cantares Regionais de PortelCAFÉ PORTUGAL - Grupo de Cantares Regionais de Portel
Portel, Querido Portel
- Grupo Coral de Cantares Regionais de Portel
E divertimo-nos, pois. Até trauteei, se pode dizer-se tanto. Portel marcou pontos, mais uns, porque a brincar, a brincar… Até porque anda por aquelas bandas um coral que remete para a tradição do cante alentejano – mas desse nós acabámos por ouvir umas escassas duas modas, na noite seguinte, mesmo assim em versão mitigada. É que o pessoal andava todo azoado com as compras do Natal.

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)
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Pelas bandas de Portel... (1)

Parar ali? Nem pensar...!!!

PASSEIO DE JORNALISTAS em PortelConfesso que durante muitos anos passei pela antiga estrada Évora-Beja muito lampeiro, admirando de longe o castelo de Portel, mas sem me atrever a mirar as ruas da vila. Era coisa instintiva, e nada me demovia – nem comovia – , nem mesmo o pitoresco relatado por médica amiga que ali cumpriu não o serviço militar, porque de quartel não há memória fresca, mas sim o serviço médico à periferia. E Saramago, claro, na sua incontornável volta a Portugal.

É verdade que a curiosidade já andava desperta porque se falava da administração autárquica da terra no pós-25 de Abril, pois um presidente lendário – de tão contestado e odiado por uns, ao mesmo tempo que admirado e encomiado por outros – teria sido eixo de uma reviravolta. Mas que pode dizer-se quando a vontade não puxa?

E se eu andava por ali… Vida de reportagem, pois claro, e quando havia secas lá estava caído, ao largo, entenda-se. E se um novo governo acenava com o arranque próximo da construção de Alqueva também se me dava para tomar a estrada para Moura e ala que se faz tarde. Parava em Cuba, Alvito, que querem? Mas ali, nem pensar. Até que um dia li que estava a funcionar na terra um belo hotel rural, o Refúgio da Vila, que foi coisa rara, de Évora para baixo, por muitos e demorados anos. Exceptuada a bela pousada ex-Enatur, em Beja.
PASSEIO DE JORNALISTAS em Portel
Deu nova volta, a vida, para me demorar num outro projecto que implicava andanças pelas terras do Baixo Alentejo – e lá aboletei e amesendei. Estava a casa ainda nos verdes anos, mas o ambiente cativava, de quartos catitas, confortáveis, cozinha incipiente mas tranquila, demorada como se quer por estas bandas. Fui ficando cliente, do hotel, claro, mas também da vila. Parava, desfazia-me do pó das jornadas, cirandava pelas ruas e ruelas, deitei os olhos lá do alto, tive os primeiros contactos com a rota do fresco que na altura ainda não era. Pelo menos com nome posto.
PASSEIO DE JORNALISTAS em PortelDescobri outros pousos, até que num vizinho restaurante S. Pedro também os comeres e beberes estavam a um passo de justificarem, por si sós, a visita.

De modo que Portel passou a valer a pena, apesar de pairar nos meus ouvidos ecos de um grupo coral, o dos Cantares Regionais de Portel, com umas cantigas que me irritavam – o coral de tradição andava por aí assassinado nuns ritmos que nem sabia dizer. Mas disto eu não provava, nessas escapadelas.

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)
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Vinte dias para perceberem que
este não é um blogue de "spams"!!!

o campo é deles e,
quando lhes apeteceu,
levaram a bola e interromperam o jogo
.

Pura e simplesmente, bloquearam-nos as postagens com o argumento de que este poderia ser "um blogue de spams"!!!. Não percebemos de onde terá vindo tão peregrina ideia e protestámos, estrebuchámos, vociferamos, etc. etc.
Não ganhámos grande coisa com isso: os dia foram passando sem que do blogger viesse ao menos um sinal de recepção das mensagens que lhes fomos enviando.

Só há pouco – quase 20 dias depois - vêm dar o dito por não dito e pedir desculpa por nos terem impedido de usar o blogue durante todo este tempo.

Como se dizia lá em cima, nada a fazer... que a bola é deles e o campo também!
Iremos agora transferir as mensagens que entretanto já havíamos afixado no blogue que criámos para funcionar como alternativa enquanto este se mantivesse bloqueado.

De qualquer forma, já desencadeámos procedimentos que nos ponham a coberto destas embirrações. E o Café Portugal (blogue) passará, dentro de dias, a ser publicado em domínio próprio.
Desde já apresentamos desculpas pelos eventuais incómodos que esse facto irá provocar a quantos fazem o favor de manter nas suas página o linque para este nosso estabelecimento...

Obrigado.

05 janeiro, 2007

Ainda os ecos do "Cante ao Menino" em Peroguarda


Café Portugal - Michel Giacometti
Cancões Tradicionais e Memória Colectiva
O mistério Giacometti
Cancioneiro Popular Português
Associação Michel Giacometti
Museu do Trabalho

Entrai pastores (Cante tradicional recolhido em Peroguarda) Boomp3.com
Interpretação: CRAMOL (Grupo Coral da Biblioteca Operária Oeirense), 1985

Caro Rui Dias José

De facto a minha intenção era que o meu amigo publicasse a minha carta, uma vez que o seu "Café Portugal" tem uma visibilidade que eu ainda não possuo.

Quando se fala de Michel Giacometti, indivíduo de grande qualidade e projecção, de quem gosto muito e cujo trabalho sempre apreciei, que estudou muito da música popular tradicional portuguesa, vem-me à memória outra figura muito importante de um outro caminheiro etnógrafo e investigador alentejano, reconhecido pela enciclopédia Portuguesa-Brasileira e sócio de diversas instituições científicas e culturais, portuguesas e brasileiras, com diversa bibliografia publicada e que, eventualmente por questões políticas, não teve a seguir ao 25 de Abril, o reconhecimento que lhe era merecido.

De quem falo é do Professor Joaquim Baptista Roque, nascido em Peroguarda em 1913. Nesta
aldeia, em 1954, com a presença do Governador Civil de Beja, a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, reconhecendo todo o seu trabalho e dedicação à causa alentejana e ao seu povo, prestou-lhe uma homenagem descerrando uma lápide que deu o seu nome à Praça onde existe a casa em que nasceu.

Aliás, o Grupo "Alma Alentejana", de que lhe enviei fotos e que foi o primeiro a ter mulheres na sua composição, tendo-lhe então valido alguns dissabores, foi por si fundado em 1938.

Existem cerca de seis mil verbetes sobre o cancioneiro de linguagem popular que ele reuniu em finais de 1947.

Hoje, já depois da sua morte, a Câmara Municipal de Portel, editou em 2000 um CD com cantares alentejanos, que o professor havia recolhido e gravado de forma artesanal, em vinil, na cidade de Beja, em 1948 e 1959, utilizando um rudimentar gramofone.
A maioria do seu espólio está entregue à Câmara de Portel onde se presume venha a existir um museu dedicado ao cante Alentejano.

Em Ferreira do Alentejo, no próximo mês de Março, irá ser atribuído o seu nome a uma rua.

Muito mais havia para dizer e se tiver interesse poderei facultar-lhe a consulta do referido CD ou, em alternativa, poderá solicitá-lo à Câmara de Portel.

Com um grande abraço,

CARLOS GOMES






O professor Joaquim Roque
Rezas e Benzeduras
Os cantares de Peroguarda
Grupo Coral "Alma Alentejana"