04 agosto, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS
ao barrocal e à serra algarvia (9)

… ai se os árabes do castelo
falassem…

IR PARA O PRINCÍPIO


PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne

Vestígio da presença almóada em Portugal, nos séculos XII e XIII, o Castelo de Paderne, está muito destruído.

PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne
PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne

No percurso de autocarro desde a estrada nacional até até às imediações do castelo tive a sensação da secura e da dureza da interioridade. O caminho é longo. Vêem-se os campos sem gente, claro! O meu país europeu a várias velocidades... e autoestrada logo ali ao lado!

PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne

Encerrado para uma intervenção que tardou muitos anos, o Castelo de Paderne foi aberto propositadamente para que o grupo de jornalistas o pudesse visitar.

PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne

As obras de recuperação actualmente em curso exigem cuidados especiais que os protejam de actos de vandalismo, como destacou Natércia Magalhães, técnica do IPAR, que acompanhada pelo arqueólogo Luís Campos nos guiou pelo interior da velha fortaleza almóada.

PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne
PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne

PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne
Com eles descobrimos os trabalhos de escavação e os segredos da construção em taipa que está a ser usada nos trabalhos de recuperação.

As obras são lentas e morosas. Estão integradas num projecto de cooperação europeia da ordem dos 500 milhões de euros.

Explicam-nos que em Espanha o trabalho de recuperação e preservação dos vestígios da presença árabe na Península está bem mais avançada…

É sempre a mesma coisa...

PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne
PASSEIO DE JORNALISTAS - Castelo de Paderne

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)

Ver continuação

31 julho, 2006

Rui Dias José, em entrevista à Epicur

Rui Dias José - entrevista à EPICUR


O Portugal turístico terá futuro?
Ou somos uma reserva de sol
com mão de obra barata?

Três páginas de respostas
às perguntas de Eduardo Miragaia.

E sobre viagens e passeios,
diz Rui Dias José:

É claro que se não esquecem
paisagens e sabores...
mas são os rostos que permanecem.





Para ler na íntegra

30 julho, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS
ao barrocal e à serra algarvia (8)

Querença, uma aldeia bem alta,
um tabuleiro florido,
ao sabor da hortelã...

IR PARA O PRINCÍPIO

(Clique nas fotografias para alargar)

A recepção na “Quinta dos Valados”- um espaço de turismo habitação, um recanto típico algarvio, explorado por um casal, ele francês, ela francesa mas de origem portuguesa - foi especial pela sua singularidade...

Logo à entrada, sobre uma mesa coberta com uma toalha bordada, cestos típicos da zona prenchidos com fatias de pão local, enqunto o afavel Prseidente da Junta nos servia copos de àgua fresca enriquecida.
Esta ideia do enriquecimento da água - nas palavras de quem a tinha preparado - foi-nos explicada como inspirada numa visita ao Centro Budista. O segredo era fácil... à água tinha sido adicionado limáo e hortelã e a mistura tinha sido adocicada. Era servida acompanhada de pão de limão e nozes.

À nossa espera também um duo de acordeonistas que nos acompanharam até à beira da piscina da quinta, onde se fez o jantar.

Finalmente conheçemos as irmãs Faísca de quem tanto tinhamos ouvido falar em Salir. Já idosas, fazem bonecos, sabem da cozinha algarvia, bordam, cantam... Ali mesmo, ao jantar, deram-nos o som de velhos cantos e lengalengas.

Uma refeição feita de receitas antigas e de novos sabores. Ficaram-me na memória os chícharos, a deliciosa sobremesa de figo e a torta de alfarroba.



Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)

Ver continuação

24 julho, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS
ao barrocal e à serra algarvia (7)

Ai os saltos altos…
precisamos de chinelos…
onde estão os chineses?

IR PARA O PRINCÍPIO

Os meus sapatinhos de corda, de salto cunha, fizeram-me bolhas… já estava desabituada de percursos a pé, longos – tenho a consciência que são saudáveis, mas ai… (aqui) deviam-nos ter avisado – e já tínhamos percorrido Alte. Enfim, neste meu espírito de tudo ver, lá fui com os demais. Havia outras situações difíceis. E para meu espanto aqui não encontrei sequer umas havaianas, nem uma loja de chineses…

O polo museológico de Salir está bonito, tem uma arquitectura original, um espólio interessante e bem cuidado.
Situa-se mesmo por cima do local onde as escavações encontraram muitos objectos reveladores da passagem de outras civilizações e de outros povos.

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)

Ver continuação

21 julho, 2006

Contra a desertificação marchar, marchar. E acima de tudo resistir.


No número 58 da Epicur, que agora chegou às bancas, Eduardo Miragaia partilha sentimentos e sensações do Passeio de Jornalistas ao Barrocal e à Serra Algarvia.

Para aguçar o interesse pelos "prazeres privados e virtudes públicas" que são território (moldura e cenário) daquela revista, dê uma espreitadela neste "Ir ao Algarve sem ir".

20 julho, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS
ao barrocal e à serra algarvia (6)

Salir, terra de muitos e pequenos
povoados que veneram os valores da
Espiga e olham a Rocha da Pena....

IR PARA O PRINCÍPIO


A presidente da Junta de Salir, Piedade Carrasquinho, desvendou-nos uma uma sala cheia de prémios e distinções pela Festa da Espiga que se organiza anualmente (no ano que vem terá a 40ª edição) a 25 de Maio, congregando esforços e energias dos habitantes e comerciantes locais.

Espectacular a exposição que estava patente Posto de Turismo: em miniatura uma representação da vida e costumes da região, recriando o ambiente do cortejo etnográfico que nesse dia festivo acontece.

Lá estão representados os homens e as mulheres serranas - na lavoura, na cozedura do pão, na apanha da azeitona, na ceifa, na feitura do carvão - tudo aquilo saído das mãos das irmãs Faísca.

Na Igreja de Salir, que tem São Sebastão por orago, o Pároco local mostrou-nos a Bula Papal - uma relíquia, foi como a qualificou - um pergaminho quinhentista onde são concedidos privilégios á Confraria do Santíssimo Sacramento.

Em Salir, freguesia de grande área e muitos (e pequenos) aglomerados populacionais, predomina a agricultura e a desertificação é uma constante: na Fornalha vivem apenas três casais, nos Barrigões só já resta um morador…

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)

Ver continuação

19 julho, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS
ao barrocal e à serra algarvia (5)

Folclore da Serra do Caldeirão,
um esforço comunitário e familiar.

IR PARA O PRINCÍPIO


A visita a Salir começou com um almoço.Não faltou a brejeirice natural do corridinho e baile mandado do Grupo Folclórico Serra do Caldeirão. Uma teimosia de mais de cem elementos, agrupando vários núcleos familiares de um povoado, Cortelha, que o Sidónio, o coordenador, tão bem explicou. Do pormenor dos trajes e costumes até aos traços de uma cultura ancestral que o tempo não logrou esboroar.

As mais de duas dezenas de turistas estrangeiros que almoçavam na ”Adega da Nave” - compartilhando fortuitamente aquele espaço com os jornalistas - estavam visivelmente surpreendidos e agradados com esta manifestação cultural genuína.
Presentes no repasto, além do representante do presidente da Câmare Loulé, esteve a presidente da Junta de Salir, uma advogada e a primeira mulher a conquistar a presidência naquela vila serrana do Algarve.
A refeição propriamente dita foi constituída por uns bem típico galo guisado e javali estufado. Mas logo a abrir tinha aparecido um muito agradável xerém (ou xarém) - umas papas de milho com ameijoas. E não faltaram os doces tradicionais de amendoa e alfarroba.

Fotos: Antunes Amor
(direitos reservados)

17 julho, 2006

Fundão, logo a seguir das férias...

Fundão: à sombra da Estrela e da Gardunha...
E a próxima surtida.
Já está em preparação.
Para acontecer logo a seguir a este período estival de férias.
Aguardem as novidades.

19 junho, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS
ao barrocal e à serra algarvia (4)

Algarvios, um povo que somos,
uma memória que fala.

IR PARA O PRINCÍPIO


Quem sabe (quem ainda se lembra) que o esparto - uma espécie de capim (erva alta) já quase inexistente - servia para fazer cestos e carpetes?
Eu tenho um cesto. Mas todos nos lembramos daquelas carpetes redondas, com desenhos floreados, a parecer junco fino ou sisal.
Para que ficasse com aquele aspecto, o esparto era batido e secado, transformando-se numa matéria de tecelagem parecida com o sisal.
A “Casa da Memória” fala-nos disto e das vivências das gentes algarvias do interior, os hábitos, os artefactos, os modos de vida…a cozinha (com todos os objectos que se utilizavam), tudo coisas que caracterizavam um modo de vida e sobrevivência daquela zona serrana.

Em Alte , ainda restam as marcas... num lugar onde duas ruas estreitas se cruzam e dois rochedos (agora quase aborvidos pelas construções dos muros) lembram que ali as mulheres batiam, até à exaustão, molhos de esparto.

Fotos: Antunes Amor
(direitos reservados)

Ver continuação

03 junho, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS
ao barrocal e à serra algarvia (3)

De pernas cansadas e coração aberto,
com turistas em safari
e doces de alfarroba...

IR PARA O PRINCÍPIO

Como mandam as regras, Alte foi percorrida a pé. com vagar para antigos gestos e práticas (Museu do Esparto), para o artesanato ou a pintura em azulejo. Com atenção para as tentativas de criação de estruturas capazes de atrair visitantes, como os anfiteatros para espectáculos e concertos (na Fonte Grande e na Fonte Pequena) que revelam o esforço dos autarcas. Mas o passeio, pelos declives acentuados, não foi fácil... não senhor.
Sempre interessantes as chaminés, a suscitarem o curioso entretenimento de encontrar diferenças e semelhanças entre elas. Não há duas iguais...
No centro, masquei, uma alfarroba - “um fruto para burros e cavalos e eu ainda não tenho quatro patas", dizia-me o Rui Dias José, o organizador deste “Passeio” no seu tom brincalhão - mas que tanto me deu prazer, talvez porque sou filha de agricultor e não me sai este carimbo de infância: quando o meu pai comprava ração de alfarroba para os animais. ”Olhe que isto dá prisão de ventre…” avisou-me a jovem que mostrava no balcão algumas amostras de produtos algarvios serranos. Não me importei e gostei. Como também gostei de saber que se faz um tipo de farinha muito fina de alfarroba, uma raridade, para pôr no leite como se fora cacau. Hoje em dia, com base na alfarroba, fazem-se tartes, doces, gelados... e outras gostosuras de alfarroba.
Com surpresa cruzavam-se jipes de turistas (maioritariamente idosos) em visita a Alte e os seus arredores serranos. Chamam-lhes safaris, o que originou alguns momentos de humor em relação a eventuais feras a encontrar: "Será que vão à caça ao javali ou ao lince?", perguntava-se.

Mas também encontrámos muitos estrangeiros fazendo percursos pedestres pelos caminhos serranos. E há dezenas de percursos devidamente organizados e acompanhados.

Fotos: Antunes Amor (direitos reservados)

Ver continuação

Rui Dias José,
nas palavras de um velho camarada de profissão...

SANTOS MOTA, Revista "O Escansão" (Ler mais)