01 abril, 2006

Retratos do PASSEIO DE JORNALISTAS
a Miranda do Douro (6)

Ernesto Vaz, arqueólogo, conhece os segredos da terra e vai publicar em breve o ”Guia de Castros e Berrões”(do lado português e espanhol).
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Foi incansável - deixou a sua actividade bancária para estudar arqueologia, uma apetência que lhe vinha de criança – na explicação, vivida, de todos os pormenores da cidade num belo passeio pelo Centro Histórico de Miranda do Douro e ainda ás aldeias de Picote, Fonte da Aldeia, Palaçoulo (até um arqueiro pré-histórico foi descobrir numa pedra, de uma forma que só os mais atentos vêem).
O seu zelo foi notável, fornecendo-nos antecipadamente e em cada momento, uma nota escrita alusiva ao pormenor que se propunha explicar.

Levou-nos ao Museu da Terra de Miranda – uma raridade, onde se podem ver artefactos e memórias de uma vivência de séculos, cuidadosamente organizado pelo Dr António Rodrigues Mourinho.

Que não poupou a nossa ignorância em relação à “capa das honras”, um capote que integra a indumentária mirandeza etnográfica e que actualmente também o Presidente da Câmara usa para receber pessoas importantes. É um sinal de deferência para com o visitante. Com António Maria Mourinho visitámos a catedral e admirámos o seu retábulo, único no mundo.


E com Ernesto Vaz... até ficamos a saber o que eram “cachorros”, (suportes em pedra, para colocar flores lateralmente às janelas) esculpidos.

Retratos do PASSEIO DE JORNALISTAS
a Miranda do Douro (5)

O Povo é quem mais ordena e aí fala Marcolino Fernandes – “Uma figura”
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De forma humorística, mesmo brejeira, vai-nos contando em mirandês histórias da região, que reflectem a natureza e vivência das gentes locais. Interessante, não precisa exagerar.
Professor primário, um homem de 65 anos que conhece bem as agruras do campo, foi um dos elementos que contribuiu para a recolha e compreensão do mirandês, oficializado – que hoje é ensinado nas escolas como língua opcional, sendo já objecto de mestrados.
Marcolino é uma contador de histórias, também um artesão de cestaria e um belo dançarino.



Marcolino Fernandes,
fazendo cestos ou...

contando histórias aos
meninos de Miranda...



Com ele ficamos a saber que “llonas” são histórias, que “cachico” é bocadinho, “lhéngua” é língua, etc.
Deixou-nos as boas vindas num poema em mirandês que tão bem soube enquadrar os diferentes órgãos de comunicação social.

Petição na Net pela Manutenção do
Polo Universitário de Miranda do Douro

Circula na net em busca de assinaturas de apoio. Diz que chegou a hora de unir esforços e juntar vozes de protesto e revolta para evitar que o Polo Universitário de Miranda seja encerrado.

Contra a ameaça de perder o mais importante pólo dinamizador de cultura e conhecimento que temos nas nossas Terras, a Petição está à sua espera aqui.
Um protesto assumido no Blog O Encanto da GaitaDura e de que já se fizeram eco diversos orgãos da comunicação social:

Várias vozes já se fizeram ouvir com um sentimento comum: O Polo não pode fechar... a síntese é do Agarra-me estes palos. Ou, como se escreve no anthropos (o blog do curso de Antropologia Aplicada ao Desenvolvimento da UTAD, Pólo de Miranda do Douro):

POR FAVOR!!! NÃO NOS DEIXEM PIOR DO QUE JÁ ESTAMOS!!!

Retratos do PASSEIO DE JORNALISTAS
a Miranda do Douro (4)


Gaitas e gaiteiros, uma originalidade que merece ser “obrigatória” em todos os eventos e um ritual nos espaços de lazer.

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O jantar na “Balbina” foi acompanhado por um trio, comandado pelo Paulo Meirinhos dos Galandum Galundaina, gaista de foles, tambôr e caixa de guerra. Uma manifestação singular de música tradicional que nos refresca os sentidos já saturados de tantas músicas “pimbas” e sem conteúdo. Espantosa aquela sonoridade que se impunha também na discoteca local – uma particularidade agradável - e mais tarde numa actuação expectacular durante o nosso jantar no restaurante “Jordão”. Aí aconteceu mesmo o convívio entre o grupo dos jornalistas e um grupo de estudantes que celebrava um aniversário... e o ambiente chegou ao rubro, noite fora.

Defendo que os restaurantes e outros espaços de animação deviam gradualmente introduzir a música local, convidando os músicos locais, porque os turistas pretendem conhecer aquilo que é diferente e não aquilo que também já têm... e que (infelizmente) é a massificação.


Os pauliteiros, jovens e lindos – um esforço das comunidades locais e da própria câmara, está a fazer surgir novos grupos – estiveram connosco na Praça Central de Miranda e depois frente à Catedral. São de facto uma afirmação de diferença etnográfica de grande beleza.

31 março, 2006

Retratos do PASSEIO DE JORNALISTAS
a Miranda do Douro (3)

Miranda do Douro: gastronomia genuína e invulgar… mas tão longe.
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O caminho é longo até Miranda do Douro - dá para admirar a beleza dos socalcos das vinhas, uma obra de arte que o homem esculpiu na terra - mas são precisas novas vias que encurtem esta distância que nos separa tanto uns dos outros… e não nos deixa ver com mais frequência as amendoeiras em flor, uma “sorte que tivemos”...

Aguardava-nos um belíssimo jantar, no restaurante da Balbina, com as boas vindas em “mirandês” pelo presidente da Câmara Municipal, Rodrigo Martins. Lá estava António Afonso, presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano e outros responsáveis pelo município que nos fizeram saborerar especialidades únicas. Os rins de vitela, os pombos estufados e a original salada de merujes, foram iguarias incomuns que continuam a fazer jus aos méritos da D. Balbina – sempre presente e preocupada com o bem estar de cada um – que os escritos e prémios de várias entidades e órgãos de comunicação social, espalhados pelas paredes, comprovam.
Continuo, no entanto, a achar que não é necessário tanta quantidade de comida, quer na travessa, quer às doses…

Retratos do PASSEIO DE JORNALISTAS
a Miranda do Douro (2)

As CEREJAS, “ex-libris” do Fundão,
voltam ao Futebol… com novas iniciativas!!!
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Festa da cereja – 9 a 18 de Junho

E porque as pessoas são mais importantes do que as casas, o Passeio de Jornalistas – uma iniciativa criada há duas décadas por Rui Dias José que nos tem proporcionado um melhor conhecimento no terreno de como está Portugal fora da capital – começou num almoço extraordinário no restaurante O Mário, no Fundão. A receber os jornalistas, além da administração da Progitape, um dos patrocinadores desta acção, estava o presidente da Câmara Municipal, Manuel Freches. Da boca dele ficámos a saber que do seu município saiem em média 700 pessoas por ano.

O Fundão que é a capital da cereja - ex-libris que voltará a marcar presença nas competições internacionais de Futebol, desta vez no mundial da Alemanha - arrisca-se a ser um jardim sem pessoas para o admirar.

A propósito… esperava comer em pratos com desenhos de cerejas, taças de salada de frutas em feitio de cereja, uma grande cereja a servir de saladeira…Se compramos os pimentos, os tomates e os morangos das loiças espanholas, também devíamos comprar as nossas…é preciso ousar…!!!

Retratos do PASSEIO DE JORNALISTAS
a Miranda do Douro (1)

Um pedaço de riqueza de um Portugal “despaísado”

Naturalmente que a palavra parece estranha, mas foi exactamente assim que, ao contar a um amigo a desertificação humana que presenciei em Miranda do Douro - um pedaço cheio de riqueza e originalidades que potenciam grande interesse turístico - ele me respondeu: “Portugal está despaísado. Somos obrigados a sair dos nossos locais de origem e procurar outras terras para procurar trabalho, para estudar, para ter os bebés…vamos para Espanha, vamos para outros países. Não somos de nenhum país…”.

Toda aquela zona necessita de ser repovoada – o Presidente da Câmara, Rodrigo Martins, um engenheiro reeleito, robusto e sólido nas suas opiniões, admitiu estar aberto a estrangeiros - fiquei triste, em verificar aldeias desertas, cheias de história, cheias de trabalho humano. Eu que conheci a região de Trás-os-Montes antes de entrarmos para a União Europeia quando a zona era quase inacessível e depois acompanhei a sua evolução, sou agora confrontada com uma região maravilhosa, mas as pessoas são cada vez menos e o poder político parece só olhar para o centro litoral.

30 março, 2006

Finalmente o CAFÉ PORTUGAL em domínio .pt

Ao cabo de mais de uns 15 meses(!!!) de espera no emaranhado burocrático dos Registos de Marca, o Café Portugal - sítio da net a que este Blog está associado - consegue finalmente aparecer em domínio pt:(www.cafeportugal.pt).

Aquela que é a página oficial dos Passeios de Jornalistas irá surgir daqui a uns dias "de cara lavada", com novo desenho e novas funcionalidades. Aguardem as novidades...!!!
O cafeportugal.net e o cafeportugal.org irão albergar novos projectos que oportunamente serão anunciados.

O bombo, a gaita e os pauliteiros...

A afirmação da cultura mirandesa foi uma constante do Passeio.
Especial enfase para a tradição oral, a música e a dança.
Como aqui, no largo fronteiro ao Museu da Terra de Miranda que os jornalistas acabavam de visitar...

29 março, 2006

Miranda foi um turbilhão...


Miranda foi um turbilhão de sons e emoções, numa lufa lufa de paisagens e sabores.
Naquelas bandas, quando alguém bate à porta, não se pergunta "quem é?" mas diz-se "entre quem é". E foi mesmo assim no PASSEIO DE JORNALISTAS a Miranda do Douro.

Nos próximos dias passarão por aqui alguns testemunhos dos profissionais da Comunicação Social participantes nesta jornada mirandesa. Não lhes vamos antecipar impressões e juízos.



Mas sempre os mostramos a franquear as portas do "casco viejo"...









...ou a calcorrear ruas de Miranda.

27 março, 2006

23 março, 2006

Destino: as Terras de Miranda!

É já amanhã que um grupo de jornalistas parte à descoberta de Miranda do Douro.

Durante um fim de semana vão poder experimentar paisagens, sabores, ambiências e sonoridades. Mas vão também ouvir falar de projectos de desenvolvimento rural e de combate à desertificação. Ficarão a saber da importância que o Turismo pode ter e a conhecer essa nova realidade que pode significar riqueza e fixação de populações que são as "cozinhas rurais".

Conhecerão a situação do ensino do Mirandês e verão com que fios se tecem futuros em Miranda do Douro.

Tudo isto, em mais uma edição do Passeio de Jornalistas. Desta feita apostado em dar a conhecer a terra onde se fala a nossa segunda língua oficial.

22 março, 2006

Nada... como ir até lá!

Há uns dias, chegaram a Lisboa, ocuparam-lhe avenidas, instalaram-se na Baixa, treparam ao Castelo. Vieram os burros, vieram os pauliteiros. Foram notícia de Telejornal. As cores, as fitas, as músicas, o exotismo das imagens...


(Um conjunto de imagens está disponível em You Sou Mirandés)

Mas, afinal, que sabemos nós das gentes do planalto mirandês? Ou que atenção nos costumam merecer no turbilhão das notícias, entre regras de mercado e tirania de audiências?

Nada como ir até lá, para uns lhaços ou uma gaitadas, para umas chourizas ou uma churra assada. Entre paisagens e sentimentos... que os Passeios querem-se bem conversados e vividos!

Mistérios, gaitas de foles, lanudos e lengalengas na beira do Douro...


Miranda tem mistérios e histórias.

Aguça curiosidades e provoca estranhezas. Aquela apego a uma língua que só eles sabem, aquelas danças guerreiras puladas de saia e paus, aquela forma primitiva de fazer a posta, aquele orgulho pelos burros lanudos, aquela ânsia de voo que faz dos pombais um dos mais importantes sinais da sua arquitectura rural, aquele modo de resistir no planalto...

E de depois são as paisagens. Que tanto podem ser de planura a perder de vista como escarpadas de arrepiar a espinha. E lá em baixo o Douro, que as barragens vieram amaciar mas não domesticaram. E a música, sempre a música - de flauta, de tambor ou caixa de guerra, de gaita de foles... mas também lengalenga, ladainha, coro de mulheres cantando rimances ou rezas.

Miranda tem histórias e mistérios...

18 março, 2006

Para a semana...
É Miranda do Douro!

Ala p'rás Terras de Miranda é a palavra de ordem de um convite aos jornalistas: para que connosco venham viver um fim de semana de aventura no planalto Mirandês.

Radical quanto baste.
Com passeio de barco nas Arribas do Douro, trote de burros lanudos em Atenor e navalhas em Palaçoulo...
Com vistas do Picote e memórias de António Maria Mourinho em Duas Igrejas. Com flautas e Pauliteiros.
Com paisagens, com rostos, com sentimentos, com gente viva que teima em resistir e ficar na terra que é sua, fazendo do mirandês uma língua de afectos que afirma diferenças e marca orgulhos de cultura e de sobrevivência.

Que venham as gaitas de foles e os tamborileiros, as chouriças e a posta, o pão e o vinho... e vós havereis de ver a Festa que vamos fazer a Miranda!

17 março, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS no Norte Alentejano:
Entrevista com o Presidente da Região de Turismo



Ceia da Silva,
presidente da Região de Turismo de S. Mamede:


É necessário alterar algumas regras da promoção turística


O Norte Alentejano, penso eu, é uma região claramente distinta de todas as outras. Tem características muito próprias. É e não é Alentejo. Quem o afirma é Ceia da Silva, presidente da Região de Turismo de S. Mamede (ler mais).

16 março, 2006

Do PASSEIO DE JORNALISTAS ao Norte Alentejano:

Ecos do PASSEIO:
Expresso / Economia (11 MARÇO 2006)

14 março, 2006

Que é feito deles?

E... falando de Miranda do Douro, por onde tocam agora os Pica Tumilho - Agrícola Rock Band?

Ai que cochino! - Pica Tumilho

11 março, 2006

Miranda do Douro na Blogoesfera

Agora que o Passeio de Jornalistas se prepara para marchar até Miranda do Douro, uma curta vista de olhos na Blogoesfera mirandesa.

Nas buscas que fizemos, conseguimos encontrar 6 blogues nas terras de Miranda. Admitimos que possam existir outros, mas não os localizámos. Se alguém nos quiser indicar as falhas (as faltas) agradecemos e prometemos aditamento rápido.

Agarra-me estes palos
Irreverente quanto baste, pretende dar voz aos integrantes do mais jovem Grupo de Pauliteiros de Miranda. Eles são mesmo da sede do Concelho e não o escondem...

anthropos
É gente do polo de Miranda do Douro da UTAD. Estão essencialmente(?!!!) voltados para as Ciências Sociais e Humanas. Actualização mais frequente... precisa-se.

Blogger do Mirandês
Tinha por objectivo constituir uma actualização do Sítio do Mirandês. Para que ganhe uma maior eficácia terá de tentar cumprir esse objectivo...

Encanto da GaitaDura
Vem descobrir o que se esconde por baixo dos nossos saiotes... escrevem eles em jeito de provocação. Vale a pena aceitar o desafio e navegar por lá. Com o som ligado!

Picote
Venha conhecer a aldeia mais bonita de Portugal, aparece escrito na entrada de um blog que pretende falar de quotidianos e que mantém espaços com indicações úteis.

picote
Outro. Lê-se lá: este blog tem a intenção de ser um diario da aldeia de Picote. Pois... mas para isso era bom que começassem a escrevê-lo... Vão em frente!



07 março, 2006

NORTE ALENTEJANO
por Luís Magalhães

O Norte Alentejano

POTENCIALIDADE DE UMA REGIÃO MÍTICA ONDE O TEMPO É TEMPO


No último “Passeio dos Jornalistas”, uma saudável iniciativa (ler mais).

Uma das ruas da Judiaria em Castelo de Vide

05 março, 2006

PASSEIO DE JORNALISTAS no Norte Alentejano - Bonecos de Viagem...

Matança do Porco no Monte da Figueira de Cima, Arronches.


(Clique nas imagens para aumentar)

Fotos: Antunes Amor (Direitos reservados)