* ÁGUAS VIVAS * ATENOR * CICOURO * CONSTANTIM * DUAS IGREJAS * * GENÍSIO * IFANES * MALHADAS * MIRANDA DO DOURO * PALAÇOULO * * PARADELA * PICOTE * PÓVOA * S. MARTINHO DE ANGUEIRA * * SENDIM * SILVA * VILA CHÃ DE BRACIOSA *
Nas mesas cá dentro ou na esplanada... cruzam-se paisagens, rostos, artes, sabores e projectos de viagem pelos mares da lusofonia. Entre convites e vontades, a disponibilidade para sair por aí em busca de um sorriso, de um passeio, de uma aventura...
Não olhem para mim com essa cara... Não tenho culpa nenhuma. Ou se calhar, até tenho: por ter acreditado na Netcabo! Tudo por aí a falar em novas tecnologias e choques tecnológicos e o meu modem morto, convertido em objecto de decoração/raiva/impotência... Só ontem ao princípio da noite voltou a dar sinais de vida.
Em duas semanas: 10 dias de paralisia total... com ligeiros intervalos. A última paragem veio de 2ª feira e durou até ao fim da tarde de ontem. Não acreditam que possa ser possível? Perguntem à Netcabo que ela explica como consegue.
Ás malvas os direitos dos consumidores, as responsabilidades contratuais, as necessidade individuais e empresarias de comunicação. Apenas um olímpico e sobranceiro desinteresse e um inaudito abuso de posição dominante.
Por último, noto a simpatia e correcção com que autarcas, responsáveis pela Região de Turismo, directores e técnicos do Parque Natural, pessoal de apoio, nos receberam e se disponibilizaram para nos dar esclarecimentos, estando sempre presentes nos diferentes eventos, provando-nos os esforços que estão a ser feitos para evitar a desertificação humana numa região onde impera a beleza e a qualidade genuína de produtos e gentes locais.
Como gostei do filme que nos proporcionaram ver …de um Portalegre antes e depois de Revolução de Abril… as suas vivências e costumes…a “movida” alentejana, mais intensa do que a de hoje... Agora tem de se recorrer a tudo para fixar pessoas no interior.
É preciso fazer algo para que se possa criticar… e isso , “o fazer” é um privilégio da Fernanda , a coordenadora do rancho folclórico de Castelo de Vide, uma jovem engenheira que com alma e emoção nos soube presentear ao jantar, na “Casa do Parque”, não só com várias actuações de danças e cantares do grupo para o qual soube cativar o marido, a sogra, o cunhado, a mãe… como ainda explicou o significado de cada traje, as diferenças sociais, as dificuldades do desenvolvimento humano em terras pobres e agrestes, os sonhos e lutas das gerações anteriores...
A minha estima igualmente para todas as cozinheiras que se esmeraram na confecção de todas as refeições que nos foram oferecidas nos diversos locais, pelo seu esmero e capacidade em mostrar-nos a gastronomia típica – muitas vezes excessiva para o meu estômago já habituado a quantidades menores e sabores menos apurados.

Num percurso pelo Parque Natural de S. Mamede onde são já raras as convivências humanas, apreciei a extensa mancha de soutos (para quem não se lembre, são conjuntos de castanheiros).
Julien Reynolds, o proprietário da Monte da Figueira de Cima, em Arronches, um elegante cidadão espanhol de origens portuguesa e inglesa, juntou a história e a cultura com o marketing na projecção do Clube Glória Reynolds (que permite o acesso exclusivo a um vinho requintado do mesmo nome) numa referência que honra o nome da sua mãe.
Na bela adega de asnas em madeira e gigantescas mesas em fatias brutas de xisto - a fazer inveja – erguem-se grandes tonéis de carvalho francês onde fermentam e se apuram os requintados vinhos. Nas paredes, fotografias a preto e branco de Gloria Reynolds e seus antecedentes – uma violinista actualmente com 96 anos a quem Julien, diz dever-lhe o saber amar Portugal e sobretudo o Alentejo.
A quinta é extensa. Avista-se o gado, manadas e rebanhos, e as vinhas estão bem tratadas.
Não faltou o cumprimento de exigências sanitárias e o veterinário a atestar a boa saúde do animal. Lá estavam, qual carimbo da minha infância de zona saloia(Mafra), os homens a segurarem o porco deitado, o facalhão que faz a sangria, a mulher com o alguidar de barro... e que deve mexer incessantemente o sangue para que não coagule.
Imagem retirada de Marvão - Candidatura a Património Mundial
Casa de Ana Pestana, em Aramenha – turismo de habitação – onde dormi.
É um requinte que de per si, justifica o passeio.
A Ana, arquitecta, que levou quatro anos a refazer a sua casa ardida – disseram-me os amigos que ela “é muito determinada e até fazia e punha a massa…como se fora o pedreiro…”- é uma mulher amável que colocou a sua personalidade por toda a casa. Uma recuperação onde a pedra, sobretudo o xisto, misturada com vidro, são valorizados.
Tudo é harmonia…o sol que entra pelas janelas sem cortinas, os nichos, os soalhos, a vista para a serra, os objectos antigos e recuperados, originalidades e pinturas, numa fusão do antigo e do moderno, onde nos sentimos sobretudo, bem. Que lindas as casas de banho com lavatórios assentes sobre fatias de xisto….
Imagem retirada de Marvão - Candidatura a Património MundialUma região cheia de potencialidades a precisar que o governo olhe para ela, sob pena de todo o esforço humano em curso, se frustrar.
Que recepção agradável na Taberna António José – uma casinha discreta, decorada com objectos da lavoura, primando pela qualidade.
A bela sopa de tomate que nos foi servida ( uma trintena de pessoas) foi a minha escolha, ”o meu jantar” mais que suficiente, dispensando as migas com entrecosto, prato igualmente bem confeccionado e abundante.


"O Alentejo tem tudo para se desenvolver, não está é descoberto"
Esta é uma convicção de Julien Reynolds, empresário conhecido da área das pedreiras de xisto em Espanha, aqui bem perto de nós, e que há alguns anos adquiriu o Monte da Figueira, a cerca de dois quilómetros de Arronches (...) - jornal Fonte Nova (ler mais).
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Os braços do vento
excitadas
líquidos diálogos
as flores
Autores das obras reproduzidas e páginas onde foram localizadas:
Manuel d'Assumpção
Marvão - Cidade Romana de Ammaia
A pedra
A pedra sonhava
A pedra sonhava
Na berma do rio
quase núvem
Apetece o Norte Alentejano.Diário Económico (o5/01/05)
Primeiro de Janeiro (o5/o1/05)
Primeiro de Janeiro (05/01/05)
Jornal de Notícias (o5/01/05)
Jornal de Notícias (05/01/05)
Venho agora da despedida ao Cáceres Monteiro, ali nos Olivais. Entre muitos camaradas deste ofício das notícias, a homenagem a de um homem de rija coluna e olhar terno, face serena e gestos delicados, cidadão atento e brilhante repórter.
Depois disso fomo-nos cruzando, na vida, nas viagens, no projecto que levou a Iniciação ao Jornalismo às escolas Secundárias (com o Afonso Praça, o Carneiro Jacinto ou o José Leite Pereira). no Sindicato dos Jornalistas…
Entre figurões da “Informação” autoconvencidos do seu estrelato fátuo, o Cáceres permanecia afával, acessível, inteiro, rigoroso e disponível para entregas, afectos e desafios. E é essa a imagem que dele quero guardar.
PS - Com a vindima que ceifa os jornalistas na casa dos cinquenta e tantos, nunca percebi como é que, numa profissão destas, a idade da reforma poderá ser aos 65. Só se for para não pagar a quase ninguém… e embolsar o valor dos descontos.
E você (que ocasionalmente passou pelo Blogue ou que a ele foi trazido pelos nossos emailes) perguntará: mas o que é que este tipo sabe de turismo para ter um blogue que tem a ousadia de aflorar temas como o “Mercado Interno” ou “Oferta Turística”?
Nada… quase nada… respondo eu! Como jornalista nunca trabalhei ligado à secção de Economia de nenhum órgão de Informação e, ainda por cima, quando me faço à estrada até acho que não estou a fazer turismo mas apenas a… passear.
No entanto, até considero que conheço relativamente bem este país: 6 anos integrado na equipa que produziu o “Passeio das Virtudes”, mais oito como autor/realizador do “Feira Franca”
Pelo meio ficou um outro programa o "Chão da Festa”, também na Antena 1, a responsabilidade de duas edições do “Concurso da Gastronomia de Lisboa” e uma Feira (na FIL) sobre os sabores das cozinhas e das especiarias que se cruzaram na Lisboa dos Descobrimentos e que hoje têm marcas e interpretes na nossa cozinha capital: o “Saborear Lisboa”.

Pois… e estava-me a esquecer dos “Passeios de Jornalistas" que palmilharam estradas e mares deste país durante 8 anos e que agora estão de novo na estrada.
Têm razão aqueles que não entendem a minha ousadia (e desplante) em pretender escrever e opinar sobre estas coisas das viagens e dos passeios. Nem eu me perdoo… por tamanha sem vergonha
PressTur (02/01/05)