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24 março, 2007

Vai-se a agricultura... fica o turismo?


Levi Fernandes, (France Press) no rescaldo do PASSEIO DE JORNALISTAS em Montalegre. Para ler na íntegra aqui.


Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS EM MONTALEGRE
Com o Álvaro Blanco, da espanhola EFE, a bordo do Alfa para o Porto
Entre margens de Porto e Gaia, antes do almoço no barco da DOURO ACIMA, com a Marie-Line Darcy da Radio France
Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS EM MONTALEGRE
Ou em Pitões de Júnias, já Montalegre adentro...

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Fotos: Antunes Amor
(direitos reservados)


Diário de Bordo do PASSEIO DE JORNALISTAS em Montalegre

16 março, 2007

Gerente de café em Montalegre

Já um dia fui gerente (quase dono) de um café. Pelo menos, durante uma manhã inteirinha, ele foi meu. E nem precisei de o comprar: a chave foi-me oferecida quase em acto de alívio. Da mesma forma como a devolvi. Se eu... nem uma bica para mim próprio sabia tirar!!!

Era inverno em Montalegre e eu tinha calcorreado mais de mil quilómetros para a 2ª Feira do Fumeiro. Foi lá para as bandas de 1992. Desafiara a vir comigo o José Quitério de quem prezo amizade e nutro admiração. E por aí acima foram aquelas duas almas, movidos pela curiosidade de saber como o presunto (além de sabor, textura e volúpia) poderia ser modo de vida e subsistência de famílias. Ainda no princípio, a feira de reduzidas dimensões não tinha marcadas vocações de cartaz turístico, embora se acreditasse como chamariz de visitantes. Gente de passagem, porque os parcos quartos de pensão disponíveis não relevavam pelo conforto, nem desafiavam a ficar...

Era uma feira ingénua mas sobrava-lhe sinceridade, alegria e afectos. Sem pôr em causa a qualidade dos fumados e outros derivados do cerdo, marcou-me mais o acolhimento, o calor das palavras, os copos conversados noite a fio, o meu reencontro com o Padre Fontes, o conhecimento do Orlando Alves, umas batatas e couves com um presunto cozido que comemos num restaurante que não sei se ainda há... e a tal chave do café que, sem que me conhecessem de lado algum, me entregaram para que dele dispusesse. E não é todos os dias que nos oferecem um estabelecimento de comidas e bebidas... Mas é melhor eu explicar a histórias antes que vossas senhorias se ponham para aí com suposições menos fundadas...

Nessas alturas, um repórter de rádio, mais de que se assemelhar a um saltimbanco, era similar um “faz tudo”. Para uma emissão de duas horas em directo, chegava-se sozinho com uma maleta de microfones, auscultadores e uma caixinha milagrosa, de recente fabrico, que permitia ligar aquela tralha toda a um telefone desses domésticos. E depois era sou inventar uns tipos para ouvir e umas histórias para contar... e estava feita a rádio, fosse um Montalegre ou na ilha do Corvo. Facilitava no entanto saber falar com as pessoas... porque andam por aí umas sumidades que, quando os retiram do convívio dos políticos que transbordam vontades e interesses de dizer coisas, ficam desamparados, desasados mesmo! Culpa do populares, dizem eles, quando não conseguem que o cidadão comum - que está na sua terra, com as suas coisas e os seus dias - lhes dê importância e lhes ligue alguma. Aí, mascaram a falta de capacidade de conversa com uma análises demencial acerca do introspectivo do povo, que “é fechado” e nada diz. Quando foram eles que não conseguiram estabelecer fala e conversa... Só conseguem ouvir ministros à porta de São Bento ou treinadores ávidos de zurzir num árbitro qualquer.

E se eu contasse a história do café em vez de estar para aqui com estas filosofia da treta? Bem... lá vai... Era uma sexta feira quando arribámos a Montalegre - eu e o Quitério, como lá atrás já ficou dito. Preparei as coisas e fiz um programa de rádio no sábado. Esse foi fácil, porque a feira estava a funcionar, abundava por lá mão de obra vocal e as conversas da noite anterior (até quase à madrugada) tinham preparado o terreno, limado timidezes e outras hesitações. Parecíamos quase todos íntimos e a coisa fez-se. O problema era o dia seguinte, o Programa começava às 7 da manhã, era difícil convencer os companheiros da aventura nocturna para jornada tão madrugadora em dia de descanso. Pareceu interessante que a função se cumprisse num café onde era suposto as pessoas estarem mais descontraídas e com palavra mais fácil. Mas não havia nada aberto aquela hora num domingo de manhã... Surgiu então a ideia do estabelecimento defronte da antiga cadeia - anos depois recuperada para hotel acolhedor de Montalegre.

Já não me lembro quem serviu de cicerone, fiador ou avalista da conversa com o homem do café. Recordo apenas que o proprietário concordou em deixar-me abrir banca na sua loja. Subsistia apenas um pequeno problema: no sábado ele tinha um casamento, não sonhava a que horas se iria deitar e muito menos se imaginava às 6 da manhã a abrir a porta para que um qualquer de Lisboa fosse debitar umas quantas larachas...Lá no fundo, ele suspeitava que - por muito más que fossem as palavras do tal repórter - sempre trariam algum interesse para a divulgação da terra. E divulgação, aos olhos de um comerciante, quer dizer mais clientes. Coisa a que ele não era avesso. Mas... estar ali às 6 da manhã de domingo, depois de banquete nupcial, festa rija, cabeça mole e alguns desvarios? isso é nem pensar...!!!

- Ouça lá, você pensa que eu sou maluco para vir para aqui às seis da manhã, depois de um casamento? Olhe, está aqui a chave, amanhã abra o café e amanhe-se.

E foi assim. Dia seguinte, ainda escuro, ainda frio, abria eu a porta, ligava as luzes e montava o estaminé. Lá mais para a sete da matina, começaram a chegar os meus companheiros de infortúnio - sofrido, a acreditar nas caras que me foram entrando porta adentro, disfarçando as pragas que me rogavam com um esfregar de mãos e a frase sacramental:

- Isto é que está um frio hoje...!!!

Nunca mais consegui perdoar ao Padre Fontes aquelas efabulações acerca de mezinhas, medicinas populares e chá diversos, quando ele nem uma máquina de café sabia ligar. E tanto que apetecia. Bem olhávamos para ela, mas não a demovíamos da sua metálica imobilidade.

Final da história, logo que pude devolvi a chave ao dono, o Padre Fontes aprendeu – daí a uns aninhos – a tirar café, o Zé Quitério continua meu amigo (daqueles que não precisamos de ver todos os dias) e eu não mais parei de ir a Montalegre. Mas continuo sem saber como lidar com máquinas daquelas...

13 março, 2007

Comboio, barco, autocarro... até Montalegre!

PASSEIO DE JORNALISTAS em Montalegre - de comboio até ao Porto... Comboio para o Porto, almoço num barco do Douro, autocarro até Montalegre.

Rumo a Barroso.
Em busca de lugares mágicos: Pitões de Júnias, Tourém ,
Padornelos, Ponte da Mizarela, etc.etc. etc

PASSEIO DE JORNALISTAS em Montalegre - depois o autocarro para Montalegre...
Á procura de paisagens, de rostos e histórias de restar ou partir, nas rotas do contrabando, na esteira de uma chouriça, de um naco de barrosã ou de umas couves...

Com Queimada de Bruxa e infusões de plantas várias, para rebater...

08 março, 2007

No Desfiladeiro do Diabo, a Mizarela...

Ponte da MizarelaDe longe avista-se o desfiladeiro do Diabo. Que coisa é aquela que se pendura nas bordas da terra, por sobre o precipício? Ponte não pode ser, porque ninguém se lembraria de construir uma passagem naquele sítio e àquela altura.... É mesmo uma ponte, a da Misarela.
Primeiro contempla-se o prodígio erguido de pedra, a pique, depois... ladeira a baixo para pisar o chão de rocha onde iam passar a noite as mulheres com problemas em engravidar - melhor dizendo, e como ali contaram, dificuldade em prender a criança. Não repito aqui a história das senhorinhas ou dos gervázios porque, muito melhor do que eu, o velho companheiro Lourenço Fontes (o padre Fontes de Vilar de Perdizes, agora também empenhado em tocar para a frente esse acolhedor Hotel Rural de Mourinhe) já passou a escrito a história, quase lenda, quase mito, quase...

E apeteceu trazer aqui uma outra forma de contar/cantar a Ponte da Misarela. Estão ouvi-la na música da Quadrilha, que aqui pirateio... Estou certo que o Sebastião Antunes compreende e releva a falta. Com a mesma simplicidade e generosidade com que apareceu de viola debaixo do braço no Largo da Misericórdia, em Lisboa, para umas canções em directo integral - nada desses playbacks que enxameiam as nossas televisões, todas! Foi mesmo ums acústico, sem rede nem artifícios, no meio do largo, no meio da tarde... já lã vão uns anos.
Ponte da Misarela
-
Quadrilha

06 março, 2007

Blogues de Montalegre e Barroso

Daqui a dez dias já iremos a caminho de Montalegre. Nesta fase, prepara-se o Programa de deslocação, visita e acolhimento dos participantes em mais uma edição do Passeio de Jornalistas.

Para quem quer antecipar visões e pormenores das terras que vamos percorrer, já aqui deixámos pistas sobre alguns sítios da net que contam aquelas paragens. Montalegre

Olhemos agora outro segmento cada vez mais importante do ciberespaço: os blogues!
A listagem que aqui apresentamos está, de certeza, incompleta. Por isso pedimos a ajuda dos frequentadores do Café Portugal, para que ela seja acrescentada (ou corrigida, se fôr caso disso).
Mas, para já, é o que temos:

26 fevereiro, 2007

Podem começar já a passear Montalegre

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS a Montalegre(Clique no mapa para ampliar)
Para quem quiser antecipar a expedição a Montalegre ou, quem sabe, programar a sua própria viagem ou, tão só, encetar um reconhecimento virtual... aqui ficam alguns endereços:

Ou, se quiserem saber o que por lá se anda a fazer na área da comunicação audio-visual:

Quase a escorregar para a Galiza.

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em MontalegreNo extremo Norte, quase a escorregar para a Galiza... e sempre com história de idas e vindas, de amores e comércios transfronteiriços.
As rotas do contrabando foram caminhos de sobrevivência de comunidades e manancial de histórias e cantos...
As aldeias decidiam quem "ias às sortes" e punham a salvo, do outro lado, os não eram para cumprir o serviço militar.

Tempos em que as "chegas de bois" não eram espectáculo de turista ou emigrante em férias mas desafio de força e virilidade do boi comunitário. Que tinha direito aos melhores lameiros.
Depois vieram "as limousines" e outras raças bárbaras, foram-se os braços de trabalho... e agora não há quem tome conta do "boi do povo".
Permanecem paisagens e ambientes quase sem mácula e uns quantos "irredutíveis" nas suas aldeias. Da espécie de Axterix, mas sem poção mágica... Há outras mezinhas... mas apesar do esforço do druída, não conseguiram interromper o ciclo da desertificação.

Para ir para Chaves até há pouco o melhor caminho era para Espanha. Pela Galiza se continua a ir para Ponte da Barca ou Melgaço. A cidade importante mais próxima está em Salamanca, Chega-se mais facilmente a Ourense que a Braga. E, por boas estradas, está-se em Vigo num instante...

25 fevereiro, 2007

E, quando alguém batia à porta, eles respondiam:
"Entre quem é!"

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS  em Montalegre

Em Barroso,

com o
PASSEIO DE JORNALISTAS



Até terras de Barroso, no extremo norte, na pista de nomes mágicos e segredos de isolamento e sobrevivência: Pitões de Júnias, Tourém, Vilar de Perdizes... e no desfiladeiro - dito do Diabo - a Ponte da Misarela e os milagres da fecundidade...

São terras de serra dura donde a emigração leva braços e energias...

O futuro pode ser turismo, pode ser pecuária, pode ser fumeiro, mas será sempre GENTE e apostas da sua fixação.

Saímos em busca de rostos, de paisagens, de horizontes e de sabores.

Apetece-nos o presunto, o salpicão, a chouriça de carne ou de abóbora, a sangueira e a alheira. Haveremos de querer provar o cabrito da serra ou a vaca dos lameiros de Barroso, apenas com umas batatas e umas couves. E depois... um chá de ervas aromáticas.

Apetecem-nos as vistas das barragens, as bruxas encantadas, as danças de roda, as histórias à lareira, a queimada...

Com Espanha à vista e a Primavera por perto, em Montalegre!



16 - 17 - 18 - Março

24 fevereiro, 2007

Tudo a Norte...
até Montalegre!

Café Portugal - PASSEIO DE JORNALISTAS em Montalegre

E aí está o próximo PASSEIO DE JORNALISTAS. São as terras de Barroso, é Montalegre, já na raia de Espanha, bem encostada à Galiza.

16, 17 e 18 de Março é a data da surtida. Que desta vez casa comboio e autocarro, mete Queimada de Bruxas, muitas barragens e rios, uma paisagem lindíssima e um território cada vez mais desertificado.

Tantas coisas para ver... e outras tantas para contar!